Valêncio Xavier faleceu na sexta-feira, aos 75 anos. Sua arte segue viva nas marcas que deixou na cultura cinematográfica do Paraná e nos livros que publicou, como ''O mez da grippe e outros livros'' (Cia. das Letras, 1998) - ao menos na opinião dos entrevistados desta semana para a coluna Dois Lados. ''A sua vida foi marcada pela paixão e pelo pioneirismo. Como pesquisador e homem de cinema, foi fundamental para a preservação da memória cinematográfica do Estado e pela formação de toda uma geração de realizadores paranaenses'', aponta a professora Solange Stecz, que foi estagiária e depois pesquisadora da Cinemateca do Museu Guido Viaro, criada por Xavier, em 1975. ''Apaixonado por cinema, escreveu em imagens e movimentou todos os espaços culturais pelos quais passou'', lista que também inclui o Museu da Imagem e do Som (MIS), o qual dirigiu na década de 1980. ''Como dar continuidade a seu legado?'', questiona Solange. ''Com sua marca, que ficará registrada em todos os que vislumbram um horizonte de inovações e quebras de paradigmas'', completa.
O cineasta Fernando Severo vê a Cinemateca como seu espaço de formação, onde teve aulas de direção com os brasileiros Ozualdo Candeias e Rogério Sganzerla e montagem com Peter Przygodda - responsável pela tarefa nos filmes do alemão Wim Wenders. ''Antes de tudo, o Valêncio tinha uma paixão por cinema e uma visão eclética sem preconceitos. Não tinha distinção e se interessava do erudito ao popular, das vanguardas russas da década de 1920 a um filme naif do interior do Paraná que restaurou'', aponta Severo, lembrando que Xavier não foi apenas importante por organizar retrospectivas memoráveis e dar subsídios para a formação de uma geração de cineastas, mas também por trabalhar na restauração de uma série de filmes. ''É fundamental lembrar que ele criou a Cinemateca durante o Regime Militar. Tirou leite de pedra e conseguiu operar a favor do cinema de dentro do Estado. Superou muitas dificuldades e mostrou que, com poucos recursos e muita criatividade, é possível fazer uma infinidade de coisas.'' Severo, que foi o montador de ''Mistéryos'' (2008), baseado na obra do escritor, não poupa esforços para pontuar a importância de Valêncio em sua trajetória. ''Se não o tivesse conhecido, hoje não seria cineasta. Toda uma geração, a Geração Cinemateca, tampouco teria existido. Ele é insuperável.''

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