Como ficar 38 anos no mesmo emprego
Em novembro de 1948, quando foi lançado o primeiro número da Folha de Londrina, eu tinha 10 anos, estava completando o 4º ano do grupo (o equivalente à 4ª série do 1º Grau), jamais, desculpem a ignorância, tinha ouvido sequer falar em Londrina, e se alguma cigana afirmasse que eu iria ser jornalista riria na cara dela. Quase 12 anos depois, em julho de 1960, lá estava eu entrando na Folha para ser redator.
A Folha já circulava diariamente, era impressa em rotativa, tinha uma pequena mas conhecida equipe e funcionava num cubículo de madeira, na Av. Rio de Janeiro, ao lado do barracão que abrigava a Oficina. Nilson Rímoli, já um mito da imprensa, já dizia que aquilo era provisório.
Passados 38 anos, estou aqui ainda, não no antigo cubículo, mas na Folha, local em que passei quase dois terços da vida. E confesso que muitas vezes, ao longo deste tempo, fiquei pensando nisto: como é que alguém permanece 38 anos no mesmo emprego? Que tipo de acomodação leva uma pessoa a ficar na mesma firma, fazendo a mesma coisa por quase quatro décadas? Para uma empresa, 50 anos é quase nada. Para uma pessoa, ainda que a previsão de vida do brasileiro esteja hoje maior do que há meio século, 38 anos é quase tudo.Paulo WolfgangAmálgamaEstelio: contribuição e parte do processo de crescimento do jornal
A desculpa mais simples que eu dou, quando alguém me interpela a respeito, é que a Folha não me mandou embora e eu não pedi a conta. Mas, pensando bem, as explicações são um pouco mais amplas. O jornalismo não é um trabalho como o de um escritório ou de uma repartição pública. Não é burocrático, é dinâmico. Ao lado disto, porém, há outra realidade que me parece mais concreta: a Folha de Londrina de hoje não é a mesma de quando eu comecei. Mudou, cresceu, evoluiu, assumiu uma posição entre os melhores do Brasil. E, ainda que modestamente, permito-me dizer que não só cresci com a Folha mas fiz parte do processo, dei uma contribuição para esta evolução. Isto talvez explique os 38 anos que já completei e, quem sabe, os outros tantos que espero fazer, nesta mesma Redação.
O fato de conhecer alguns dos companheiros da Redação, ajudou no começo. Conhecia Nilson Rímoli e seu irmão João. Na verdade, João Rímoli, verdadeiro mentor de todos nós, era amigo e compadre de meu pai, e se alguém pensa que isto ajudou o meu ingresso no jornal, está certo. Foi João quem fez uma espécie de convite. Também faziam parte da Redação, na época, Oswaldo Militão, a quem conhecia muito, havíamos até viajado juntos para cobertura dos Jogos Abertos do Interior, em Santo André, em 59, ele pela Folha, eu pela Rádio Paiquerê; havia também o Walmor Maccarini, bem conhecido dos radialistas por ser o Radialino, responsável pela coluna com este nome na Folha, que era a bíblia dos radialistas; o Wilson Silva, o famoso Marquês de Araçoiaba, uma das pessoas mais inteligentes que conheci; o Carlos da Silva, que foi uma espécie de orientador inicial. Dos novos conhecidos, havia o José Carlos Abrahão, que trabalhava de dia na Prefeitura e à noite era redator e que, hoje, é um dos maiores especialistas em Direito Administrativo do Brasil, emprestando seu talento à UEL; e o Nelson Severino, um revisor que estava começando a se tornar redator de esportes.





