Estava indo para a reunião de negociação entre Sindicato dos Metalúrgicos e a Volkswagen/Audi quando ouvi o primeiro boletim sobre o ''acidente'' em NY. Quando saí, estava confirmado. O mundo estava em pânico, bolsas despencaram, nova desvalorização do real no mercado interno e queda da moeda americana em relação às demais moedas internacionais, disparada dos preços de petróleo e do ouro, elevação dos juros no mercado futuro, perplexidade nas ruas. E os comentários: ''Será que vai começar a 3 Guerra?'' Ou ainda: ''O Brasil é um país bom para se morar, não tem guerra!''
O ''day after'' trouxe um pouco de ordem nas coisas. Apesar da alta do dólar a bolsa recuperou parte da perda, o preço do petróleo caiu, a taxa de juros do mercado futuro cedeu. Mas fica a indagação: o que acontecerá com a economia mundial e nacional a partir de agora? Qual o impacto desse episódio nas nossas vidas ?
São perguntas ainda sem resposta. O ataque atingiu os prédios do complexo comercial Word Trade Center e o Pentágono, mas não foi reduzida a capacidade produtiva dos EUA o que a princípio não afetaria a economia. O que pode provocar reações na economia mundial e brasileira são dois fatores: o índice de confiança do consumidor americano e a possibilidade de um conflito internacional, principalmente na área do Oriente Médio.
O índice de confiança do consumidor americano é o indicador que antecipa as tendências de alta ou queda de consumo dos americanos (2/3 da economia do país). Uma queda desse índice implica desaceleração ainda maior da economia americana, que já vinha registrando queda de crescimento do PIB, afetando o cambaleante PIB mundial de 2001. Para o Brasil, isso se refletiria em queda das exportações e redução do investimento externo, com pressão sobre o câmbio e os juros e consequente queda do PIB interno, estimado para terminar o ano em um intervalo de 2,2% a 2,7%. Deveremos ficar mais perto dos 2,2% e, dependendo da desaceleração, com índice até menor. O nível de emprego formal, que vem resistindo bravamente à queda da atividade econômica, talvez não suporte mais esse golpe e caia. Se o cenário registrar apenas uma queda da atividade econômica de curto prazo, voltamos para a estaca zero, com crescimento na faixa de 2,2% a 2,7% que era ruim, mas agora parece menos ruim; inflação na faixa de 8%, nível de emprego estável ou com leve queda e gradual crescimento do desemprego, taxa de juros em 19%, dólar na faixa dos R$ 2,55, cenário que também não é muito animador.
Um conflito entre EUA e Oriente Médio afetaria os preços do petróleo, com consequências para a inflação brasileira, o que também levaria a mudanças na política cambial e de juros, afetando igualmente o PIB. Juntando os dois cenários: com queda de confiança do consumidor americano e conflito no Oriente Médio teríamos o pior dos mundos. Ainda bem que amanhã será outro dia, quem sabe os líderes internacionais tenham o bom senso de mudar o mundo..... para melhor e não para pior, e que o que ocorreu nos EUA no dia 12 de setembro de 2001 seja uma grande oportunidade para se iniciar uma nova era de diálogo e solidariedade na economia internacional, deixando para trás o espírito de competição e desigualdade que orientou a economia nas duas últimas décadas com o advento do modelo neoliberal.

- Cid Cordeiro é economista e Técnico do Dieese no Paraná.

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