Quem nunca teve dúvida na língua portuguesa? Na hora de redigir um texto o famoso ‘‘branco’’ surge quando se usa aquela palavra que não pode ser substituída por outra. Nestes casos o dicionário é a saída. Mas quando a dúvida está na etimologia, sintaxe, morfologia, pontuação, semântica ou na fonologia, fica mais difícil da enciclopédia ajudar. Para resolver esse problema, a prefeitura lançou em 1985 o Telegramática, serviço gratuito que tira dúvidas sobre a forma correta de escrever. Ao todo são seis consultores que se revezam no atendimento das ligações. Em 2007 foram 55 mil atendimentos. O serviço está disponível de segunda a sexta, das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas.
  Na sala onde as funcionárias do Telegramática trabalham, cinco armários abrigam centenas de livros de lingüística, dicionários especializados e didáticos e publicações sobre dificuldades gramaticais. Os atendentes também utilizam programas virtuais para solucionar as dúvidas. O lema da equipe é discrição e respeito. Um cartaz pregado nas mesas dos atendentes logo avisa: ‘‘Quando o consultor estiver em atendimento, silêncio’’.
  Além do português, dúvidas sobre francês, italiano, inglês, árabe e alemão também são atendidas. Segundo Beatriz Castro Cruz, coordenadora do Telegramática, a crase é responsável por grande parte das chamadas, seguida da estrutura de frase, regência de verbo, significado de palavras, pontuação e grafia. ‘‘Pessoas das mais diferentes profissões nos procuram. Jornalistas, publicitários, advogados, juízes, estudantes e professores sempre ligam. Algumas vezes as secretárias solicitam ajuda pois escreveram o texto certo mas o chefe fala que está errado e elas ficam sem saber o que fazer’’, conta Beatriz.
  A falta de dicionário em casa é o principal motivo das dúvidas. Segundo a coordenadora, isso nem sempre reflete o poder aquisitivo da pessoa. No ato da ligação os atendentes não fazem nenhuma pergunta sobre a pessoa, como pedir o nome, a idade ou a profissão. Apenas respondem a dúvida. Mas pelo nível das perguntas eles conseguem traçar um perfil aproximado do indivíduo.
  Beatriz trabalha no Telegramática há oito anos. Dentro da equipe também faz parte Ladanir Millack, conhecida como Lala, que atua no serviço há 18 anos. Ela brinca que sempre recebe as ligações mais difíceis. ‘‘Às vezes levo umas broncas. Algumas pessoas não aceitam as nossas sugestões e correções’’.
  Ela conta que uma senhora ligou para perguntar se os sobrenomes devem ser usados no plural ou no singular. Lala disse que as duas maneiras estão corretas. Pode ser usado ‘‘Os Maias’’ e também ‘‘Os Maia’’, por exemplo. A senhora afirmou acreditar que somente existia no singular e disse ter ficado muito decepcionada com o serviço. A forma correta permite o uso das duas maneiras. ‘‘Tem gente que bate o pé e diz que o que dizemos está errado’’, conta Lala.
  Algumas dúvidas merecem atenção, como é o caso do termo ‘‘café expresso’’.
Em diversos folhetos de promoções de lojas de eletrodomésticos é usado ‘‘espresso’’, copiando a palavra em italiano, escrita com S. No Brasil, a forma correta é grafada com a letra X.

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