A produção é simples, pode ter apenas um músico e um instrumento, mas quem já foi homenageado ou presenciou a realização de uma serenata garante que a comoção é certa. Em Curitiba, quem oferece o serviço realiza uma média de até 20 serenatas por mês. E mesmo acostumados com o trabalho os profissionais são envolvidos pela emoção.
  ‘‘A magia da arte ainda está no fazer. Aquela música fez parte da vida da pessoa e você vai ver alguém tocando ao vivo. É isso o que sensibiliza. As pessoas estão sentindo falta disso. A serenata tem esse resgate do romantismo, da demonstração de carinho pela pessoa’’, explica a musicista Silviane Stockler de Lima, que realiza serenatas ao lado do músico Jackson Cesar de Lima. ‘‘A energia que a gente emana faz com que a receptividade e a emoção sejam sempre diferentes’’, completa Jackson.
  Para Maira Murrieta Costa, que recentemente ganhou uma serenata do marido como presente de aniversário, o mais importante foi ter algo preparado especialmente para ela. ‘‘O que emociona é o fato de o seu companheiro ter o cuidado de fazer algo diferente’’, afirma.
  O marido de Maira, Terzio Roberto da Silva Vieira conta que decidiu encomendar a serenata depois de ter visto uma faixa anunciando o serviço na rua. ‘‘Estava voltando do trabalho e tinha que fazer algo especial para minha esposa. Vi a faixa no poste e fui atrás. Quando vi que o repertório tinha a música que ela adora, não pensei nem meia vez’’, lembra Vieira.
  Segundo a aniversariante, a surpresa surtiu o efeito esperado. ‘‘Foi lindo, totalmente inesperado. Meus vizinhos de frente ficaram do outro lado da rua curtindo. Mas foi discreto, sutil, elegante’’, elogia Maira.
  De acordo com a produtora de serenatas, Angela Fernandes, o que os clientes mais valorizam é a personalização da homenagem. ‘‘Não é só ir lá e tocar as músicas. O cliente quer uma coisa mais pessoal. Antes a gente sempre fica sabendo um pouquinho da história do homenageado. Nenhuma serenata é igual a outra’’, explica Angela.
  O envolvimento com a motivação de cada serenata acaba tocando também os profissionais. ‘‘A gente que canta tem que cuidar para a voz não embargar junto’’, revela Silviane.
  O também músico Roger Vaz é outro que não resiste à emoção. ‘‘Quando tem a música quase todo mundo chora. A idéia é emocionar e bate mesmo. Eu me emociono em quase todas. Quando a pessoa começa a chorar fecho os olhos para não ver’’, revela o músico.

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