Como antigamente
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quarta-feira, 07 de maio de 2008
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
A produção é simples, pode ter apenas um músico e um instrumento, mas quem já foi homenageado ou presenciou a realização de uma serenata garante que a comoção é certa. Em Curitiba, quem oferece o serviço realiza uma média de até 20 serenatas por mês. E mesmo acostumados com o trabalho os profissionais são envolvidos pela emoção.
A magia da arte ainda está no fazer. Aquela música fez parte da vida da pessoa e você vai ver alguém tocando ao vivo. É isso o que sensibiliza. As pessoas estão sentindo falta disso. A serenata tem esse resgate do romantismo, da demonstração de carinho pela pessoa, explica a musicista Silviane Stockler de Lima, que realiza serenatas ao lado do músico Jackson Cesar de Lima. A energia que a gente emana faz com que a receptividade e a emoção sejam sempre diferentes, completa Jackson.
Para Maira Murrieta Costa, que recentemente ganhou uma serenata do marido como presente de aniversário, o mais importante foi ter algo preparado especialmente para ela. O que emociona é o fato de o seu companheiro ter o cuidado de fazer algo diferente, afirma.
O marido de Maira, Terzio Roberto da Silva Vieira conta que decidiu encomendar a serenata depois de ter visto uma faixa anunciando o serviço na rua. Estava voltando do trabalho e tinha que fazer algo especial para minha esposa. Vi a faixa no poste e fui atrás. Quando vi que o repertório tinha a música que ela adora, não pensei nem meia vez, lembra Vieira.
Segundo a aniversariante, a surpresa surtiu o efeito esperado. Foi lindo, totalmente inesperado. Meus vizinhos de frente ficaram do outro lado da rua curtindo. Mas foi discreto, sutil, elegante, elogia Maira.
De acordo com a produtora de serenatas, Angela Fernandes, o que os clientes mais valorizam é a personalização da homenagem. Não é só ir lá e tocar as músicas. O cliente quer uma coisa mais pessoal. Antes a gente sempre fica sabendo um pouquinho da história do homenageado. Nenhuma serenata é igual a outra, explica Angela.
O envolvimento com a motivação de cada serenata acaba tocando também os profissionais. A gente que canta tem que cuidar para a voz não embargar junto, revela Silviane.
O também músico Roger Vaz é outro que não resiste à emoção. Quando tem a música quase todo mundo chora. A idéia é emocionar e bate mesmo. Eu me emociono em quase todas. Quando a pessoa começa a chorar fecho os olhos para não ver, revela o músico.


