Como anda a (in)segurança no transporte coletivo?
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Era perto das 17h. A estudante universitária desembarcava do ônibus no Terminal do Portão, quando foi surpreendida por um assaltante que a agarrou pelo braço, ordenando, em tom ameaçador, que lhe entregasse o dinheiro e o celular. Assustada, a jovem entregou os trocados que tinha no bolso e saiu em disparada para o outro lado do terminal, sem olhar para trás. Muitos, provavelmente, testemunharam a cena, indiferentes. A própria vítima não tomou qualquer atitude, no sentido de pedir ajuda ou denunciar o fato.
Relatos como esse não são incomuns. Os números da Guarda Municipal de Curitiba mesmo com a subnotificação (casos em que a vítima não registra queixa) confirmam que os assaltos no transporte coletivo da Capital são freqüentes. Quase 10% das ocorrências de janeiro ao dia 10 deste mês 1.049 , foram queixas de roubo. Em 29 dos cem casos registrados, os autores foram detidos e encaminhados para a delegacia. A maioria das ocorrências 217 foi relativa à desordem.
Desde que foi instituído o Serviço de Proteção ao Transporte Coletivo pela Guarda Municipal de Curitiba, há cerca de três anos, o número de ocorrências atendidas cresceu quase 150%, passando de 1.309 registros, em 2005, para 3.265, no ano passado. Os dados deste ano já correspondem a mais de um terço do total registrado em 2007.
Para o secretário de Defesa Social de Curitiba (pasta à qual a Guarda Municipal está vinculada), coronel Itamar Franco, o número de vítimas de roubo e furto é insignificante, proporcionalmente, ao fluxo de usuários do transporte coletivo.
É óbvio que ninguém gosta de ser assaltado, corrigiu ele. Franco destaca que o aumento nas ocorrências não reflete, necessariamente, o crescimento da criminalidade. Houve, também, um aumento no número de guardas e na área de abrangência, afirmou ao justificar o salto nas estatísticas.
Franco explicou que um efetivo de 50 guardas se reveza no trabalho de rondas nas canaletas e terminais, durante as 24 horas do dia, para inibir a ação de vândalos e assaltantes, além de tentar coibir o trânsito de ciclistas nas vias exclusivas dos ônibus biarticulados por causa do risco de acidentes.
Segundo ele, a atuação da Guarda Municipal, aliada ao trabalho do grupo de policiamento já resultou na redução significativa dos casos de vandalismo contra ônibus, estações-tubo e terminais.
A segurança fixa nos terminais é feita por empresas privadas. O secretário reconhece que esta não é a alternativa ideal afinal, trata-se de patrimônio público e admite que a Guarda Municipal não tem efetivo suficiente para dar conta da segurança em todo o sistema de transporte coletivo.
Há duas propostas na secretaria para resolver esse problema, adiantou o secretário: a contratação de mais guardas municipais e a instalação de câmeras de segurança nos terminais de ônibus, a exemplo do que foi feito nos parques de Curitiba.
Franco não se comprometeu com prazos para substituição da segurança privada pela Guarda Municipal nos terminais. Há outras demandas. Precisamos colocar guardas nos postos de saúde e creches à medida que são inauguradas novas unidades, afirmou. Ele garantiu que se a guarda não estiver presente nos terminais, pelo menos as câmeras, que ele espera estarem instaladas até o final do ano, serão monitoradas pela corporação.


