Comitês e comunidades pequenas escondem duendes
Se a história de Papai Noel pudesse ser integralmente transportada para a realidade, encontraríamos pelo menos duas ''fábricas'' de brinquedos em Londrina. Uma delas seria no Comitê de Solidariedade dos Funcionários da Sercomtel, que conta com dois bons velhinhos para a entrega dos presentes comprados com doações dos servidores da empresa de telefonia. A outra estaria na comunidade do Jardim Morumbi, que se mobiliza todo ano para permitir que Fábio encarne o personagem para as crianças do bairro.
Criado há 13 anos, o comitê da Sercomtel já prestou inúmeros trabalhos à comunidade londrinense neste período. Entre as obras mais importantes estão a construção de 48 casas para famílias de atletas carentes e a realização de duas grandes campanhas anuais: a do cobertor, realizada às vésperas do inverno, e a de Natal.
Doando parte dos vales-refeição recebidos mensalmente, os funcionários criam um fundo de aproximadamente R$ 10 mil. Com o dinheiro, o comitê compra os produtos necessários para as campanhas. ''Para o Natal compramos brinquedos de grupos de geração de renda de bairros carentes. Assim colaboramos nas duas pontas do sistema'', explica Venildo Bolfe, um dos coordenadores do comitê.
Dessa forma, os funcionários se transformam em ''duendes'', ajudando os dois Papais Noéis a levar os presentes para mais de 10 creches beneficiadas. ''Já trabalhei com buffets infantis e gosto muito de crianças. Por isso me ofereci para ser um Papai Noel este ano. A gratificação é imensa. As crianças fazem muita festa, é pura alegria'', conta Rogério Fernandes, que também encarna profissionalmente o Papai Noel em lojas e shoppings da cidade.
Por ser um movimento teoricamente desarticulado, a mobilização promovida pelos moradores do Jardim Morumbi chama ainda mais a atenção. Como Fábio já destacou, a comunidade faz questão de doar as balas que, mais tarde, serão entregues às crianças, de charrete. ''No começo de dezembro começo a pedir para os vizinhos. Se eu demoro, eles mesmos vêm até minha casa trazer as doações'', conta o vendedor.
O ''trenó'' usado por Fábio merece um capítulo à parte. A charrete é emprestada; o cavalo, idem; a aparelhagem de som, também, cada uma das peças vinda de um canto do bairro. ''Também preciso de bateria para o som, mas sempre tem alguém que se dispõe a tirar do próprio carro. No ano passado, arriei umas quatro'', lembra o Papai Noel do Morumbi.
Contudo, a maior lembrança de apoio da comunidade vem do menino que pediu uma cesta básica para o Papai Noel. ''Quando ouvi o pedido do menino, não tive como recusar. Mas eu sabia que não tinha condições de pagar por uma cesta básica sozinha'', conta Rita, mãe de Fábio. ''Então decidi que pediria ajuda aos vizinhos. Montamos uma grande cesta, com doces, comida e até bombons. Quando meu marido conseguiu receber o dinheiro de um amigo que lhe devia, incrementamos ainda mais o presente daquele garoto''.





