Maigue Gueths
Desde que a Prefeitura de Curitiba divulgou seus planos de cercar a Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, e transformá-la em um centro de lazer, ganhou força novamente, entre arquitetos e profissionais da área, a discussão sobre a necessidade de se preservar construções da época moderna. Neste mês, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) promete, finalmente, dar início aos trabalhos da comissão formada por representantes dos arquitetos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), do Instituto do Arquitetos do Brasil, do sindicato da categoria e da Procuradoria do Patrimônio do Estado, para definir critérios de classificação e preservação destes imóveis.
O assunto é polêmico, pois envolve casas e prédios não tão antigos, construídos entre 1930 e 1985 que, além do interesse arquitetônico, são visados pelo mercado imobiliário. Por este motivo, os arquitetos até evitam falar sobre o assunto, com medo que os donos prefiram demolir seus imóveis para vender o terreno, antes que venham a ser classificados como Unidade de Interesse de Preservação (UIP), restringindo o seu uso.
Foi o que ocorreu em meados do ano passado, quando a Residência Ayrton ‘‘Lolô’’ Cornelsen, um dos profissionais mais famosos pelo estilo moderno, foi demolida, sob protestos de engenheiros e arquitetos. Construída em 1949 no bairro Batel (rua Presidente Taunay), a casa, que foi do ex-governador Paulo Pimentel, havia sido comprada pela Construtora Bennan. A demolição de duas casas do arquiteto Vilanova Artigas, na Rua Comendador Fontana, há alguns anos, também gerou polêmica.
Para evitar problemas, o Ippuc está pensando em contratar um técnico que não seja de Curitiba, para atuar como coordenador dos trabalhos da comissão. ‘‘Com isso queremos garantir imparcialidade no processo’’, diz o supervisor de planejamento do Ippuc, Ricardo Bindo. Além de definir os imóveis de estilo moderno que devem ser preservados, a comissão também terá de estabelecer regras para cada caso e mecanismos de compensação com benefícios e incentivos aos proprietários que tiverem seus imóveis tombados ou classificados como UIP.
Segundo professores do Departamento de Arquitetura da PUC, no Paraná só três imóveis de estilo moderno estão enquadrados como sendo de interesse de preservação: a rodoviária antiga de Londrina, de autoria de Vilanova Artigas, o conjunto de prédios da Reitoria da UFPR e a casa de Frederico Kirchgassner, ambos em Curitiba.Arquitetos e profissionais da área discutem com o governo a necessidade de preservação das construções modernas
Arquivo FolhaMEMÓRIAO arquiteto Lolô Cornelsen em frente à casa construída em 1949 no bairro Batel, que depois foi do ex-governador Paulo Pimentel, havia sido comprada pela Construtora Bennan e acabou demolida no ano passado

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