Comércio teve o pior ano do Real
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domingo, 23 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>São Paulo 
O comércio brasileiro deve encerrar 2001 com crescimento de 5,8% nas suas vendas, apesar das diversas crises enfrentadas ao longo do ano. A lucratividade das empresas do setor, no entanto, deve ser a pior do período do real. Estudo da Centralização de Serviço dos Bancos (Serasa), feito com base nos balancetes de 693 companhias de vários segmentos do comércio, mostra que a rentabilidade do setor deve ficar em 0,7% das vendas, a mais baixa desde 1994. No ano passado, o resultado foi bem melhor, de 1,9%, índice que colocava as empresas do País dentro dos padrões mundiais de rentabilidade.
Mas, de acordo com o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, o distanciamento das empresas brasileiras dos padrões internacionais tem de ser visto com reservas. Na sua avaliação, a desaceleração da economia dos Estados Unidos, do Japão e da Europa deve ter afetado a lucratividade das empresas comerciais em todo o mundo. ''O descolamento do Brasil não deve ter sido muito grande, já que a rentabilidade também caiu no mercado internacional'', observa.
A pesquisa da Serasa aponta que o resultado do segmento de bens de consumo duráveis foi responsável pela redução da lucratividade do comércio em geral. As vendas de eletroeletrônicos devem apresentar queda de 10,6%, na comparação com o ano passado, e rentabilidade negativa de 3%. Nas revendas de veículos e peças, o faturamento deve crescer 7,8%, mas as margens sobre vendas devem ficar ligeiramente negativas (0,1%).
A Casas Bahia, maior rede de varejo de eletroeletrônicos e móveis do País, por exemplo, deve faturar R$ 3,5 bilhões em 2001 R$ 300 milhões a mais do que no ano passado. Ainda assim, na melhor das hipóteses a empresa espera repetir o lucro líquido de R$ 60 milhões obtido em 2000.
Michael Klein, diretor da Casas Bahia, explica que a empresa teve de investir pesado no mercado de móveis para compensar a queda brusca nas vendas de eletroeletrônicos, que chegaram a recuar 60% em junho e julho, no auge do racionamento de energia elétrica. A rede praticamente dobrou o volume de vendas de móveis, que passou a responder por 30% do faturamento da empresa.
O consultor Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, observa que em períodos marcados por grandes turbulências e indecisões, como foi em 2001, o consumidor não se sente nada confiante para se endividar. O que significa queda de vendas de duráveis. No geral, segundo Foganholo, os custos das empresas aumentaram mais do que as vendas, o que diminui as chances de lucratividade.


