Comércio ganha com expansão da indústria
Os sinais conjunturais deste início de ano indicam uma importante expansão nos setores da indústria e do comércio da Região Metropolitana, na avaliação do assessor econômico da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), Vamberto Santana. ''A indústria teve um desempenho limitado no ano passado. Este ano, já demonstra um início de recuperação. A Renault é um indicativo de que está havendo uma demanda maior. Nesse momento há indicadores de expansão e crescimento não só em relação à indústria mas ao comércio também'', afirma.
A Renault do Brasil abriu este mês o segundo turno de produção em sua fábrica de veículos de passeio, localizada no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais. Com a contratação de 600 novos colaboradores, entre operadores, técnicos, engenheiros e supervisores, o segundo turno deve ampliar em 50% a produção de carros de passeio, passando dos atuais 300 veículos por dia para 450 produzidos diariamente. O incremento da produção deve-se, segundo a assessoria de imprensa da Renault, ao aumento das exportações e ao lançamento neste ano do Logan no mercado brasileiro.
A empresa registrou um aumento de 31,5% nas vendas do primeiro trimestre de 2007 em comparação ao mesmo período de 2006. Somente no mês de março, foram emplacadas 5.270 unidades, 20% a mais em relação a março de 2006 (4.390 veículos). Este foi o melhor mês de março para a Renault do Brasil desde 2004, quando foram comercializadas 5.945 unidades da marca. A produção cresceu 29,8% no primeiro trimestre de 2007. De janeiro a março de 2006, foram produzidos 16.424 veículos. A empresa prevê fechar o ano com um incremento de 63,4% na fabricação de veículos em São José dos Pinhais.
Para Santana, se a indústria local está contratando mais é porque tem encontrado mercado não só no Estado mas no país e no exterior também. E o desempenho do setor na RMC deve, ainda, repercutir no interior do Paraná. ''As indústrias daqui usam insumos e equipamentos de indústrias que trabalham no interior do Estado'', justifica. Segundo o assessor, há uma perspectiva de crescimento econômico em nível nacional. ''Há sinais muito bons para esse momento na economia brasileira. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) vai disponibilizar recursos federais para o crescimento da indústria, o que é um bom sinalizador para mais empregos'', explica. ''Isso representa condições boas para o comércio. Com mais pessoas empregadas, há mais consumidores. Há um impacto positivo na sequência sobre o comércio em geral'', completa.
Gerente de uma loja de móveis em São José dos Pinhais, Rosana do Rosário já contratou um funcionário efetivo para uma nova vaga este ano. ''São José dos Pinhais é uma cidade industrial, então a única coisa que sustenta o comércio aqui é a indústria mesmo'', observa. Jares Henrique da Silva, gerente de uma loja de roupas, também realizou uma contratação este ano. ''A tendência é ter mais aumento de mão-de-obra. Nos últimos 10 anos, por causa das empresas automotivas o comércio cresceu quatro vezes. Espero que continue e venham mais. A gente que mora nos bairros vê que a cidade está crescendo. Tenho propriedade para alugar e aumentou a procura. É sinal de que a indústria vai contratar'', conta.
Para o professor do curso de Economia da UniFAE Centro Universitário, Christian Luiz da Silva, o momento é favorável mas não é estável. ''É conjuntural, não quer dizer que vai se manter.'' O Dieese estima que a taxa de desemprego na RMC é de 13,7%, o que corresponderia a aproximadamente 201 mil desempregados. (D.R.)





