Os comerciantes que tiram o sustento de estabelecimentos situados às margens das estradas pedagiadas do Estado também são bastante prejudicados pela concessão de rodovias. A cobrança é apontada por muitos como a principal causa dos prejuízos acumulados desde o início da cobrança. Não são raros casos de profissionais que, quando têm alternativa, querem deixar o ramo, justificando que a ‘‘concorrência’’ das cancelas está inviabilizando os negócios.
  Proprietária de uma lanchonete entre a praça de Floresta e a ponte do Rio Ivaí há 20 anos, a comerciante Sônia Maria Montezol, 46 anos, lamenta a queda de movimento desde a implantação do pedágio. Quando não havia a cobrança, clientes de cidades vizinhas como Floresta, Itambé e até Maringá desciam para a lanchonete nos fins de semana. Com a tarifa de R$ 6,60 para carros, a diminuição da clientela foi, segundo ela, de cerca de 80%.
  Por outro lado, ela admite que houve redução no número de acidentes. ‘‘Antes eu que tinha de levar os acidentados. Hoje eu não vou nem no local. Eu só ligo e a Viapar vem em cinco minutos’’, diz.
  Sônia fala com conhecimento de causa. O filho dela foi uma das vítimas socorridas pela concessionária. Em 1999, Gildo Montezol, 25, estava no carro de um amigo, que perdeu a direção e chocou-se contra o barranco. O jovem fraturou a coluna e teve atendimento da Viapar, mesmo fora do trecho da concessionária. ‘‘Se não fosse a Viapar seria mais complicado o atendimento. Até quando tem assalto eles vêm’’, afirma.
  Para não deixar de vender, Sônia e Gildo fazem entregas depois do pedágio, especialmente para clientes de Maringá. A manobra é possível porque ela possui uma credencial de proprietária rural para pagar R$ 6,60 por mês, o valor de uma tarifa, e tem o trânsito liberado o mês todo.
  Ela diz que, após o término da ampliação da ponte sobre o Rio Ivaí, em cerca de um ano, deve vender o comércio e tentar a vida em Portugal. ‘‘Se barateasse eu continuaria trabalhando normalmente.’’ A mãe dela, que também tem comércio do outro lado da ponte, deve deixar o ramo.
  Em Ivailândia, Celso Luís Maximiniano, 44, trabalha como vendedor numa barraca de artigos variados. A maior parte do material - como panelas de alumínio - vem de fábricas da região. Apesar do movimento razoável, as vendas estão fracas.
  ‘‘A maioria dos motoristas pára mais para olhar. Aqui chega muita gente reclamando que faz a contagem do dinheiro e tem de separar o do pedágio. Acaba não sobrando para gastar com a gente’’, diz. Mesmo assim, apóia a cobrança, especialmente com o ínicio das obras de alargamento da ponte sobre o Rio Ivaí.
  Trabalhando na barraca da mãe, Márcia Lopes, 39, tem um concorrente ainda mais voraz. O estabelecimento na beira da Rodovia Argus Thá Heyn, a PR-407, que liga Praia de Leste a Paranaguá, é a fonte de sustento da família há 40 anos.
  Depois da alta do preço da praça Caminho do Mar, que fica em São José dos Pinhais, o tráfego caiu drasticamente. A redução do lucro da comerciante foi ainda maior. O fluxo de veículos desvia-se pela estrada Alexandra-Matinhos, para fugir do pedágio. No verão, segundo ela, as vendas deveriam ser bem maiores.
  A conseqüência é que o estoque de chapeús de palha e banana está praticamente parado. Outra dificuldade é que a concessionária, segundo ela, cria obstáculos para que os nativos montem comércio na beira das estradas. ‘‘A gente é pobre. Precisa aproveitar as vendas da temporada para sobreviver. A maioria dos nativos está revoltada com essa situação’’, queixa-se Márcia.

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