Curitiba - Não foi desta vez que os comerciantes do Litoral do Paraná ficaram esperançosos e com boas expectativas para a temporada em razão de uma estrutura forte e consistente da região. A confiança dos paranaenses nasceu no desastre de Santa Catarina. A devastação, consequência das fortes chuvas, deixou desestruturadas as cidades catarinenses, além de mais de uma centena de mortos e milhares de desabrigados.
O medo ainda deixa uma dúvida sobre como será a época do ano em que Santa Catarina mais lucra. Entretanto, enquanto os catarinenses se preocupam em reconstruir, os paranaenses trabalham rapidamente para arrumar as pequenas avarias e acreditam que os próximos meses estarão entre os mais movimentados dos últimos anos.
''Vários hóspedes que já estão vindo para cá iriam para Santa Catarina'', contou o proprietário da pousada Arco-Íris, localizada em Caiobá, Silvio César dos Santos.
Já há dez anos com o estabelecimento, Santos disse que a procura por hospedagem em sua pousada cresceu entre 40% e 50% em relação à temporada passada.
Santos tem parentes em Camboriú. ''Por um lado é triste porque tenho familiares lá e por outro é bom'', ponderou. Para o filho de Santos, Andrews Willian dos Santos, a estrutura de hotéis e pousadas ainda não é a adequada. ''Mas tem como comportar bem os turistas. A gente quer é que o turista saia daqui e fale bem e que volte sempre'', afirmou.
Assim como Santos, os proprietários de imobiliárias estão otimistas. A onda de boas expectativas não se deve apenas à catástrofe catarinense, mas sim porque a temporada 2008/2009 será mais longa.
''Setenta por cento dos nossos imóveis já estão reservados. Mais uma semana e não teremos mais vagas. Hoje a temporada ainda é normal. Já ouvi falar que muitos que iriam para Santa Catarina virão para cá (Caiobá), mas ainda não vi isso realmente'', questionou o proprietário da imobiliária Lada, Luiz Sérgio Lada.
Como o Carnaval será no dia 24 de fevereiro, diferentemente do que aconteceu no feriado do início de 2008, quando foi no começo do mês, a temporada poderá ter um fôlego que não tem há muito tempo. A expectativa de Lada ainda está por conta da esperança de que chova menos nestes meses.
No verão passado, as chuvas constantes afastaram bastante os turistas das praias paranaenses. ''Na temporada passada, tivemos baixos valores de lucro em razão das chuvas. A gente espera que, agora, com a temporada mais longa, as coisas fiquem melhores do que ano passado'', explicou Lada.
Para Amauri Maurutto, proprietário da imobiliária Habimar, que tem 80% da clientela oriunda do interior do Paraná, a instalação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Caiobá, tem sido uma das alternativas para os comerciantes.
''Hoje são 900 alunos e em 2012 serão 2.500. A cidade terá vida própria'', comentou. Maurutto destacou que o município, com a UFPR, se preparará cada vez mais para os verões.
Com fé em uma temporada promissora, o dono da Churrascaria Seben, em Matinhos, Valdecir Seben, acredita também em um bom verão para os paranaenses.
Desde que chegou a Matinhos, há oito anos, é proprietário de restaurante, e nunca esteve tão otimista. ''A cada ano, por mais que haja falta de estrutura e políticas públicas municipais que deixam a desejar, a temporada melhora'', analisou Seben.
Apesar da confiança, o comerciante tem uma ponta de preocupação. ''Logo após a virada de ano acontece uma queda no movimento. Entre 26 de dezembro e 3 de janeiro temos um movimento muito bom. Mas do dia 4 de janeiro até o dia 15 do mesmo mês a clientela cai em 30%. Depois cai mais uns 40%'', ressaltou o comerciante, lembrando que a região ainda ganha um respiro financeiro no Carnaval.
Dono de imóveis também, Seben contou que muitos veranistas já avisaram: vão para Matinhos ao invés de ir para o Litoral de Santa Catarina. ''Por conta da desgraça de Santa Catarina, muitas pessoas estão ligando para saber se há vagas. A nossa infra-estrutura não é como a deles. Tenho medo de que na virada de ano haja algum problema'', comentou, receoso.
''Preços justos''
Na opinião do presidente do Sindicato do Comércio do Litoral Paranaense (Sindilitoral), José Carlos Chicarelli, embora a procura por vagas no Litoral do Paraná tenha aumentado, não haverá problemas no abastecimento dos municípios.
''A procura aumentou duas vezes mais do que ano passado, mas os veranistas não precisam se preocupar. Não haverá oportunismo em razão do que ocorreu em Santa Catarina. Vai ter uma política de preços justos'', garantiu Chicarelli.
De acordo com ele, a região conta com 400 bares, 300 restaurantes e 400 hotéis cadastrados no Sindilitoral.

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