A comerciante Zélia da Silva, 52 anos, já chegou a ter em sua casa 400 metros quadrados de decoração natalina. Até o Natal de 2003, a casa ficava aberta à visitação pública do mês de novembro ao dia 6 de janeiro. A cada ano, a casa de Zélia recebia até 40 mil pessoas. Cada visitante doava um quilo de alimento. O total arrecadado era encaminhado ao Instituto Pró-Cidadania de Curitiba.
Este ano ela decorou apenas a fachada de sua residência. De acordo com Zélia, falta incentivo aos que se propõem em deixar a cidade mais bonita paras as comemorações de final de ano. ‘‘Procurei ajuda mas não obtive retorno. A cidade se promovia em cima da decoração feita por particulares. Por isso me desestimulei’’. O público, no entanto, continuou querendo o espetáculo. ‘‘As pessoas chegavam a bater na porta perguntando’’, conta.
Segundo o secretário municipal de turismo, Luiz de Carvalho, ele não pode colocar dinheiro público nesses projetos. ‘‘Dinheiro efetivo para isso a prefeitura não tem. Podemos dar apoio logístico e operacional’’, explica. Mesmo com a falta de apoio, Zélia acredita que tudo vale a pena em nome do Natal. ‘‘Temos que fazer o resgate do verdadeiro sentido. Não pode deixar morrer esse espírito’’, defende.
De acordo com o professor de teologia e cultura religiosa da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Luiz Alberto Sousa Alves, a simbologia natalina tem hoje a função de despertar a questão do cuidado. ‘‘É preciso cuidar não só da casa e cuidar também da relação familiar, da relação com o mundo. Muita gente não passa do enfeite’’, alerta.
Segundo Alves, a relação dos católicos com os símbolos às vezes é mal interpretada. ‘‘O verdadeiro sentido é que se eu cuido de uma coisa inanimada, cuido de mim e do meu semelhante. Isso é algo que precisa ser resgatado pela sociedade’’, defende.
O professor lembra que o homem é um animal simbólico e que os símbolos têm uma função educativa. ‘‘Eles dizem alguma coisa. São uma forma de acesso ao conhecimento’’, afirma. A árvore, por exemplo, está presente em toda a simbologia universal, explica o professor. No caso da religião católica, ela lembra o pecado mortal enquanto, por outro lado, também representa a vida. (D.R.)

Serviço:
Confira, abaixo, os endereços das residências citadas nesta reportagem:
Zélia - Rua Paulo Ildefonso de Assumpção, 194, Jardim Social.
Deuzita - BR 476, nº 20.451, Pinheirinho.
Eliane - Rua Elbe Pospssil,127, Juvevê.
Sueli - Rua Abel da Silva Almeida, 114, Vila Isabel.

mockup