'Comecei com um guarda-roupa'
Sozinho, trabalhando à noite, José Marcelino Bugada, 69, resolveu fazer alguma coisa. ''Pela vontade de não ficar quieto, curiosidade mesmo.'' Era porteiro noturno, guardava ferramentas na sua Belina 1984 e deparou-se com uma chapa de compensado de fundo de guarda-roupa jogada no lixo. Pensou por breves instantes e, simples como ''deu vontade de fazer e fiz'', nasceu o primeiro violão.
Com um serrote, glosa, facão, serrinha de cortar ferro e lixa de mão, fez seu primeiro instrumento, que, admite, ficou bastante ruim. Hoje, isso foi há três anos, Bugada está aposentado e, diz, faz violões cada vez melhores, na média de um a dois por semana. A maior parte deles vende por valores de R$ 120 a R$ 150 nos bailes da terceira idade que frequenta e onde é conhecido como Zé do Violão.
''Às vezes, rifo um deles no baile. É o maior sucesso'', conta. Por instrumento, ganha de R$ 30 a R$ 50. Já fez também bandolim, cavaquinho e viola. Agora, planeja um ''cavaco-banjo''. Todos pintados nas cores mais variadas. ''A cor é a que vem na cabeça: vermelho e preto, preto e branco.'' Não tem certeza de quantos já foram, mas acredita que este número situe-se entre 60 e 70. Zé do Violão tem oito instrumentos em estoque.
Sua oficina de trabalho fica na casa de duas peças onde mora em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). ''Tenho feito comida e violão junto. Só quando lavo roupa é que tenho de parar'', comenta ao lembrar que os produz sobre a mesa e a cadeira da cozinha. (R.U.)





