Combinado oriental
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de novembro de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
À primeira vista, é mais um estilo de artes marciais. Mas o Pa-Kua, que já conta com quatro escolas em Curitiba, pode ser definido como um pacotão de conhecimentos tradicionais chineses. E a julgar pelo material de divulgação, cujo slogan promete uma vida saudável e feliz, inclui uma boa dose de auto-ajuda em seus ensinamentos.
O estudo do Pa-Kua lida com sete modalidades: defesa pessoal, acrobacia, armas de corte, ritmo (movimentos com música), sintonia (ioga chinesa), cosmodinâmica (tai chi, meditação e afins) e reflexologia (estimulação da circulação sanguínea por meio do toque em regiões do corpo). É justamente essa mistura de luta, filosofia e terapia que vem atraindo adeptos em mais de dez países, principalmente na Argentina e no Brasil.
No Pa-Kua, não há separação entre o tatame e a vida. Ele prepara você para o dia-a-dia. Eu, por exemplo, aprendi a me controlar melhor e respeitar o tempo de cada coisa, afirma o faixa-preta Daymont Castilho, 22 anos.
Praticante há quase cinco anos, Daymont se tornou mestre e hoje leciona em duas escolas da cidade. Um de seus alunos, o estudante Társilo Ferreira, 13, conta por que trocou o kung-fu pelo Pa-Kua. Aprendi mais na primeira aula do que em todos os meses que passei na outra academia. Dois anos depois, o adolescente diz ter adquirido autocontrole e concentração. Agora presto mais atenção no colégio, garante.
Menos ligado no lado psicológico da coisa, o empresário Deive Pazos, 33, gosta mesmo é de usar as armas de corte - versões em madeira de espadas, bastões, facões etc. Treina com os dois filhos e o cunhado, sendo que a esposa também fez aulas de sintonia.
Existe realmente esse foco na filosofia, os mestres estão sempre contando parábolas. Só que o aumento da auto-estima e da confiança é uma conseqüência, como em qualquer outra luta, diz.
Mas o Pa-Kua, ao contrário da maioria das artes marciais, não estimula o combate propriamente dito, tampouco promove campeonatos valendo medalhas. Não é derrotando alguém que eu vou me sentir melhor. O processo é mais interior, justifica Daymont.
O jovem mestre ensina que Pa significa oito e Kua, mudanças. Sendo assim, o Pa-Kua (pronuncia-se pákua ou pakuá, tanto faz) é o estudo das oito mutações que o ser humano pode utilizar nas situações do cotidiano. Um número simbólico, baseado nos elementos básicos da natureza: terra, montanha, água, vento, trovão, fogo, lago e céu.
São as várias direções que uma pessoa pode seguir na vida. O importante é se harmonizar internamente e perceber todas as opções que você tem, completa Daymont, que chegou a se formar em Administração de Empresas antes de optar pela rotina nos tatames.
Questionado se o Pa-Kua é uma forma de auto-ajuda, ele afirma que prefere o termo aprimoramento pessoal. E repete um dos lemas da escola: Hoje melhor do que ontem, pior do que amanhã.
Serviço
Outras informações no www.pa-kua.com.br.


