A 9ª Feira de Móveis do Paraná (Movelpar) apresenta não apenas novas coleções de produtos, mas itens que nascem de avanços tecnológicos que barateiam custos e possibilitam maior qualidade com preços equivalentes aos praticados no ano passado. No Expoara Centro de Eventos, em Arapongas, os visitantes podem conhecer até sexta-feira itens com custos de produção reduzido e que atendem as novas necessidades do mercado, conhecidas por meio de pesquisas com os consumidores.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Nelson Poliseli, afirmou, anteontem, na abertura da feira, que o setor pretende investir na qualidade em detrimento ao grande número de opções. Para o gerente de unidade do Senai, Nilson Stefani Violato, isso significa que os empresários da região aprenderam que é preciso renovar os métodos produtivos e construtivos, para conseguir até 10% de economia e lançar novos móveis sem alterar o preço ao consumidor. Processo que começou há cinco anos no País e há três entre os filiados do Sima.
Violato conta que a indústria moveleira adotou um movimento semelhante ao que ocorre com a moda. ''É uma coleção por temporada, com mudanças durante o ano, mas dentro de uma tendência'', afirma. Ele diz que há uma redução do mix, com três lançamentos no início do ano, mais três no Dia das Mães, três no Dia dos Pais e seis no fim do ano. ''É sobre isso que se refere a redução da quantidade. Na verdade, há uma engenharia para definir um conceito e diminuir variáveis, como o tipo de peças.''
Em outra comparação, o gerente do Senai cita a indústria automobilística como modelo. ''A montadora tem uma linha de produção com peças que recebe e, com os móveis, tem que ser a mesma coisa'', diz. Ele explica que entram em foco questões como a modulação e a flexibilidade da montagem. Por exemplo, laterais de armários e estantes que ficam encostadas em paredes podem passar a ser de uma só cor. Ou placas que servem de fundo para estantes e armários, fabricadas num mesmo tamanho. ''Não se pode mais partir do conceito de produto, mas do conceito das peças. Assim, não aumenta o preço (para o consumidor), mas aumenta a margem de lucro'', afirma Violato.

Para o lojista
Os comerciantes de móveis também têm como aproveitar-se das inovações da indústria. Além de contar com produtos de maior qualidade sem que ocorra mudança no custo, o mercado de design possibilita hoje a redução dos estoques em mostruário e, por consequência, do espaço usado nas lojas. É o sistema videomapping, que permite simular cores, texturas e a decoração de um ambiente inteiro, apenas com um computador ou com a projeção de imagens em uma peça neutra.
Especialista em marketing da Colibri, Edmundo Martins lembra ainda que o Senai fez uma pesquisa para a empresa e para a Cozinhas Itatiaia, que buscou conhecer as necessidades do consumidor. O resultado foi levado a designers, que usaram as preferências no lançamento de novas peças. A empresa, que havia lançado um móvel com estilo retrô em 2012 com boa aceitação, criou toda uma linha de móveis antigos com as características pedidas. ''Traz a tecnologia moderna para móveis da vovó, com corrediças telescópicas que permitem acesso até o fundo da gaveta, sem puxadores e com abertura de portas com toque.''
O gerente de marketing da Itatiaia, Mauro Bicalho, afirma que a pesquisa também permitiu novas peças de decoração na cozinha. ''Trouxemos uma linha de aço com módulo de torre quente (para fornos), impressões em desenho nas portas e puxadores mais resistentes. Tudo isso foi levado aos designers'', afirma.

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