Com reengenharia, Plaenge cortou custo e fatura mais
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Bete Fagundes 
de Londrina
A iniciativa privada fez a sua parte e teve bons ganhos de produtividade nos últimos anos. Precisamos, agora, da eficiência da atividade pública. A afirmação é de quem administra uma construtora de Londrina que atua em quatro linhas: produção de apartamentos residenciais, construções industriais, montagens industriais eletro-mecânicas e produção de pré-fabricados de concreto.
Ézaro Medina Fabiano, da Plaenge, fala que os custos administrativos do governo são absurdamente altos e que o nível de escolaridade é baixo para dar início a um ciclo econômico duradouro no País. Sem a eficiência do governo e sem educação, não teremos chance no futuro.
Empresa com faturamento de R$ 22 milhões/ano (se forem consideradas as outras do grupo, o valor duplica), a Plaenge costuma contratar de 1.000 a 1.600 funcionários por ano e investe muito em racionalização. Ézaro Fabiano conta que nos últimos três anos o alvo foi a área de administração e controle da empresa. Com a reengenharia em nosso escritório central, reduzimos o número de funcionários de 100/110 para 35/40. E tivemos crescimento no faturamento.
O presidente da empresa não comenta muito a participação da Plaenge no setor industrial. Mas a empresa sempre esteve envolvida em grandes obras. Levantou mais da metade das fábricas da Coca-Cola no Brasil (a primeira foi a de Cambé), uma na Venezuela, também da Coca, e fez obras para a Kaiser e a Antarctica - a primeira fábrica de cerveja em lata da Antarctica, no Nordeste, teve a participação da Plaenge).
O presidente também não fala muito da parceria que fez com o Grupo Benhan, um dos maiores dos Estados Unidos em construção de fábricas de bebidas e alimentos. Em tempo: a Plaenge que constrói apartamentos, atua em Londrina, Campo Grande e Cuiabá.
Ézaro Medina Fabiano é de um setor que, literalmente, enfrentou pedreiras na implantação do Plano Real, três anos atrás. Com a abertura do mercado e a consequente concorrência, o próprio mercado passou a estabelecer o preço de venda. Principalmente na área de incorporação, a mudança foi um caos. Nessa área, onde o ciclo de produção é longo (não inferior a três anos), fica difícil avaliar o resultado das empresas. Algumas delas estão no mercado sem saber exatamente qual é o custo de produção.
Se ninguém chegou a entregar um prédio iniciado na era real, como é que vai avaliar os custos? É esta a questão. Por não terem um controle efetivo, as empresas não sabem se posicionar no mercado e estão forçando os preços para baixo, mais do que elas podem suportar, revela o presidente. As empresas que se estruturaram - caso da Plaenge -, sabem até onde podem ir, mas por enquanto trabalham para cobrir custos, esperando que as menos produtivas apurem seus prejuízos e saíam do mercado para que o setor seja rentável.
Ainda sobre o Plano Real, Ézaro Fabiano fala que o melhor remédio para o setor foi a estabilidade. Era um risco muito grande trabalhar com contratos longos num cenário de instabilidade econômica.
O problema é o déficit da balança comercial, diz ele. Os críticos do governo falam que ele deveria, há muito tempo, ter alterado a taxa de câmbio. O governo, por sua vez, alega que o déficit é resultado da importação de equipamentos, que mais tarde vão impulsionar as exportações e controlar a balança, automaticamente - analisa o presidente. Ele confessa que não sabe quem tem razão nessa história. Mas diz que quando vê os altos investimentos das multinacionais no País, é levado a acreditar que o governo está certo.RAIO X
Setor: Construção civil
Faturamento
- em 96: R$ 22 milhões
- Previsão para 97: Não fornecida.
Lucro líquido: R$
Funcionários: 40 (fixos)


