Com o tempo, o leque diminuiu
Na exposição organizada pela Secretaria Estadual de Cultura estão reunidos leques da França, Japão, Espanha, China e Inglaterra. Os materiais utilizados também eram os mais diversos. Da madeira perfumada, como o sândalo que aromatizava o ambiente em cada abanada, ao precursor do plástico, o baquelite, passando pelo osso, marfim, casca de tartaruga e até coco, no caso das versões brasileiras. Já a folha, ou panache, teve sua moda da seda, do voil, da renda e até das plumas, sendo muito utilizadas as penas de avestruz, no Brasil.
Astuciosas, algumas mulheres chegaram a costurar nele pequenos espelhos para observar tudo que acontecia à sua volta sem serem notadas. Outra tradição de uma época era utilizar a folha para escrever mensagens. O "leque da amizade", integrante da mostra, foi entregue para uma jovem aniversariante e ainda conserva o texto que amigos e amigas dedicaram a ela.
O costume chegou ao Brasil com a vinda da família real, em 1808. Com o clima tropical, não demorou a virar peça obrigatória no figurino das mulheres. Por aqui houve grande influência oriental no adereço. A temática dos desenhos e formatos remetia àqueles leques utilizados pelas gueixas japonesas.
De acordo com a organizadora da mostra, o tamanho do acessório também seguia a moda. "Os do século XIX são grandes, combinando com os vestidos volumosos. Na medida em que os vestidos e cabelos encurtaram, também os leques diminuiram de tamanho, até chegar àqueles famosos das melindrosas".
Ele teve presença obrigatória até a década de 1930. Mas, foi a partir da década de 1960 que foi perdendo seu espaço com a invenção do ventilador e, mas adiante, do ar condicionado. Ainda hoje algumas mulheres não abrem mão de carregar um para eventos sociais ou em dias em que o calor parece insuportável. Outra modalidade em que os leques não foram esquecidos foi no mercado publicitário. Peça chave de materiais promocionais, ele é constante em eventos como o Carnaval e shows ao ar livre, e até no flyer de divulgação da exposição sobre ele mesmo. (M.R.M.)





