Com garra e sensibilidade
Profissionais batalhadoras num tempo em que poucas mulheres entravam no mercado de trabalho, as primeiras médicas de Londrina chegaram à cidade na década de 40. Na época, eram poucas as moças que se arriscavam a sentar-se nas cadeiras das universidades. Elas correram atrás de seu sonho e hoje, contribuem para enriquecer a história da medicina em Londrina.
A médica pioneira da cidade foi Yolanda Gomes Skowronk, já falecida, que aqui chegou no início da década de 40. A mais antiga doutora viva é Maria José de Queiroz, que no próximo dia 15 de novembro completa 83 anos. Esposa do falecido médico Emílio Gomes Fialho, com quem teve cinco filhos, a mineira de Ouro Preto chegou a Londrina em 1943, dois anos após se formar na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas. Na época, eram apenas duas mulheres na turma. No Norte do Paraná, instalou-se primeiro em Rolândia, onde montou um laboratório de análises clínicas. Um ano depois, mudou-se para Londrina e começou a clinicar na Santa Casa, formando com Dra. Yolanda a única dupla de médicas do município. Sua experiência profissional inclui também plantões no Hospital Evangélico, o trabalho em sua clínica e como médica de família, além de atuar na saúde pública. Atuante politicamente, candidatou-se à vereadora para a gestão do prefeito Dalton Paranaguá. Seu objetivo era representar a mulher londrinense, defender a saúde e os direitos do povo. Aposentou-se na década de 80 e continua residindo em Londrina. Pelo seu trabalho, foi homenageada por inúmeras instituições londrinenses.
Pioneirismo também faz parte da história da obstetra Liliana Cláudia Garcia Spironelli, que formada em 1969, foi a primeira mulher a integrar a diretoria da Associação Médica de Londrina - ''Mas nunca enfrentei nenhum tipo de preconceito por parte dos outros colegas'', diz a médica que já estava acostumada a representar a minoria: ''Na faculdade éramos apenas sete moças em uma turma com 93 rapazes, pois a medicina era pouco procurada por mulheres'', conta a doutora. Em 1970, quando foi fazer residência em cirurgia geral no Hospital Municipal de São Paulo, descobriu que era a única mulher da turma - ''Não havia sequer alojamento feminino na instituição. Foi preciso improvisar.''
Em Londrina, onde reside desde de 1973, ela conta que enfrentou resistência de alguns colegas quando ingressou como professora do curso de medicina da UEL. Outro episódio marcante aconteceu em um hospital. Ela realizaria uma cirurgia ginecológica e lembra que quando entrou na sala para operar a paciente, havia vários médicos curiosos para assistir o procedimento. ''Como não havia ultra-som, todos queriam confirmar se meu diagnóstico estava correto''. Já na AML, onde ocupou uma cadeira na comissão de ética na gestão 76/78, ela ressalta que vivenciou uma experiência tranquila - ''Minha opinião era ouvida da mesma forma que a dos outros''.





