Com Bolsa-Escola, família compra sacolão na favela
Terminada a visita, Anderson pára na frente de uma casa humilde, o número escrito com tinta azul ocupa quase toda a parede bege da casinha do casal Funaro. Ela é Andréia Kolcs Benitez Funaro, do lar, 23 anos, cuidando de dois filhos, de 3 e 7 anos . Ele é Ronaldo Funaro, 28, operador de maquinário da Dixie Toga.
Quando atende a porta e vê o amigo, o MC Pateta, Ronaldo logo se desculpa, está inteiro coberto de terra. Eu estou cavando um poço com o vizinho, explica ele, convidando o visitante para sentar num grande tronco de madeira.
Ronaldo conta que levantou a casa onde eles vivem no assentamento Vale da Lua com as próprias mãos. Aqui a gente só paga conta de água e de luz, diz. Fora a correria do dia-a-dia não tem do que reclamar. Eu tenho tudo, meu emprego, meu carrinho (Fusca vermelho).
Andréia conta que eles recebem o Bolsa-Escola por conta do garoto mais velho, 7, que já freqüenta a escola. É um dinheiro que ajuda demais, porque quando chega a gente compra alguma coisinha que está faltando no material do menino e ainda faz o sacolão.
Andréia e Ronaldo estão casados há 8 anos. Sempre moraram ali, nas imediações do endereço atual, na Rua Ana Caputo Piacentini, onde começa o assentamento dentro do Bairro Maria Cecília. Na opinião do trabalhador, toda a cidade está vivendo dias melhores. Principalmente o dia-a-dia do povo trabalhador.
Ronaldo aponta orgulhoso para os eletrodomésticos que conseguiu comprar. Nós temos DVD, um tanquinho de bater roupa, um fogão e uma geladeira novos.
À sombra da Londrina tradicional, dos pioneiros abrindo a mata, há uma nova cidade onde novos pioneiros continuam construindo novos sonhos, novas paisagens, novas perspectivas. Antes de acelerar a moto e voltar para casa, ao fim do passeio, MC Pateta dá o último recado: É essa a periferia que eu amo. (M.A.A.)





