Com armas, posseiros vencem o latifúndio
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de dezembro de 2000
De Curitiba 
A ocupação irregular de áreas devolutas e a grilagem de terras levam a quatro grandes conflitos fundiários no Estado entre as décadas de 40 e 50. Em agosto de 1947, confronto entre 1,5 mil posseiros e jagunços a serviço de grandes fazendeiros, que disputavam a mesma área, deixa mortos e feridos em Jaguapitã (Norte).
Em Porecatu (também no Norte), a disputa por indenizações de áreas ocupadas em projeto fracassado de colonização do governo estadual ocasionou, em 1951, uma revolta armada de centenas de posseiros. Como o Estado não cumpre promessa de reassentamento, os posseiros, organizados pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), tomam a cidade. Para dominá-los, governo envia cerca de 350 militares. O confrontou deixa pelo menos dez mortos.
Meses depois, as áreas em litígio de Jaguapitã e Porecatu são desapropriadas para assentamento, com base no preceito constitucional do interesse social. É a primeira desapropriação nesses moldes no Brasil.
No Sudoeste do Estado, em 1957, cerca de 15 mil posseiros chegam a tomar o poder em cinco municípios (Francisco Beltrão, Pato Branco, Capanema, Santo Antônio e Barracão), na tentativa de expulsar jagunços de companhias colonizadoras, que disputavam na Justiça a posse das áreas com o governo estadual. Eles chegam a dominar prefeituras, Fóruns e delegacias, e criam juntas governativas nesses municípios.
Os posseiros eram migrantes do Rio Grande do Sul que, ao chegar ao Paraná, consideraram as áreas devolutas. Julgando-se donas da área e com a conivência do governador Moysés Lupion, as empresas usam jagunços para expulsar os colonos com violência. Na Revolta dos Posseiros, confronto com jagunços deixa pelo menos 50 mortos. Pressão do grupo força o governo estadual a fechar os escritórios das empresas colonizadoras e enviar o Exército à região. Em 1961, com Ney Braga no governo, União desapropria a área e assenta nela os colonos.


