A ditadura de Getúlio Vargas, que tem no Paraná um de seus governadores mais fiéis –Manoel Ribas–, contribui de maneira decisiva para a colonização das regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Essa foi a última fronteira na saga paranaense, povoada com mais intensidade a partir do fim da década de 40.
Levado ao poder pela Revolução de 1930, Vargas anulou as concessões de grandes áreas devolutas a empresas particulares, a maioria de capital estrangeiro. As concessões haviam sido dadas pelos governos do final do século 19 e início do 20, a pretexto de ocupar o território e impedir uma eventual invasão argentina. Apesar de se intitularem ‘‘colonizadoras’’, essas empresas só praticavam o extrativismo predatório: a extração de erva-mate e madeira.
Nos anos 40, Manoel Ribas iniciou uma guerra judicial contra as concessionárias, que, com a cumplicidade dos governos anteriores, haviam se apossado de 59 mil quilômetros quadrados –mais de um quarto do território paranaense. Anos antes, o interventor fundara sete colônias nas áreas em processo de retomada.
A colonização é feita por uma corrente migratória vinda do sul: colonos gaúchos e catarinenses que, em sua maioria, formam a segunda geração de imigrantes italianos, alemães e poloneses que se instalaram no País. Esse processo atinge seu auge na década de 50, quando o Rio Grande do Sul já inicia a latifundiarização de sua área rural, com a expulsão de agricultores do campo. Os gaúchos e catarinenses são parte significativa dos 120 migrantes de outros Estados que o Paraná receberia entre as décadas de 50 e 60.
Os colonos estabelecem no Oeste-Sudoeste inicialmente uma agricultura de subsistência. Depois, partiriam para o cultivo de grandes áreas com produtos para a exportação. Nesse processo, novas empresas colonizadoras têm papel preponderante, demarcando lotes rurais de pequeno porte (20 alqueires, em média) e abrindo cidades. A principal delas seria a Industrial Madeireira e Colonizadora Rio Paraná S/A (Maripá). De capital gaúcho, a Maripá compra 124 mil alqueires. Nessa área surgiriam ricos municípios do Oeste do Estado, entre eles Toledo e Marechal Cândido Rondon.

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