Reprodução Arquivo PMA igreja da colônia idealizada por Suzuki foi concluída em 1936 A Colônia Esperança, primeira vila de japoneses católicos do Paraná, pode ser considerada um dos maiores patrimônios históricos de Arapongas. Dentro do programa da Companhia de Terras Norte do Paraná de lotear áreas agrupando as etnias, cerca de 10 alqueires foram adquiridos pelo pioneiro Koshiro Suzuki, que chegou a Arapongas em 1934, para a construção do templo da igreja católica. Mas é difícil separar a história da Colônia da história deste pioneiro.
Natural de Yamagata, aos 21 anos Suzuki prestou o serviço militar em Tóquio, designado para a Guarda do Palácio Imperial. Logo após dar baixa, conheceu os padres jesuítas, entre eles os alemães Darmann e Roibir e o padre japonês Isutihashi Tiota. Estudou Filosofia e Teologia, tendo especial atenção à história de São Francisco Xavier, cuja missão foi de expandir o catolicismo para fora de sua terra natal.
Com este pensamento, Suzuki deixou o Japão e veio para o Brasil formar uma colônia católica de japoneses, chegando em 1931. Na missão jesuíta em São Paulo começou a lecionar a língua japonesa. Logo em seguida foi incumbido de dar catequese em Gonzaga (Noroeste de SP).
Junto com alguns imigrantes japoneses, Suzuki ouve histórias de que no Paraná havia terras roxas muito férteis e percebe o interesse de seus patrícios em conhecer as novas fronteiras. Junto com Genzi Watanabe, de Cambará, Suzuki decidiu vir fazer uma visita a Arapongas. Na época não havia civilização nesta área - somente o mapa de loteamento. Mas o japonês tomou como exemplo de terra fértil os cafezais plantados em Cambará.
A área que ele gostou era bem servida de água, próxima do Rio Pirapó e seus afluentes, onde havia mil alqueires de terra disponíveis. O único problema era que a gleba ficava distante da cidade. Mas como fazer para adquirir terras em Arapongas e construir a sua tão sonhada colônia de japoneses católicos e o templo, se ele não tinha dinheiro suficiente na época?
Sonho realizadoA solução veio com os engenheiros da CTNP, que ofereceram uma área de 10 alqueires para Suzuki construir a tão sonhada igreja, em troca dele vender mil alqueires de terra para seus conterrâneos. Ele aceitou o desafio. E, para comprovar às outras famílias de japoneses que não havia problemas com doenças e picadas de insetos no Paraná, Koshiro Suzuki dormiu uma noite às margens do Rio Pirapó.
A surpresa, depois de algum tempo, é que nenhuma moléstia se manifestou nele. A partir daí, o imigrante decidiu chamar os amigos para conhecer e comprar os lotes na região, iniciando-se o povoamento em maio de 1935. Além de Suzuki, Kawazaki Momotaro e Sakate Shoji vieram desbravar as terras.
Cumprindo a intermediação - a cada 100 alqueires vendidos, 1 alqueire seria dado como corretagem - Suzuki recebeu a área doada para a igreja. Seu único pedido para a Companhia de Terras era que a empresa reservasse 10 alqueires ao lado da igreja para que ele comprasse no futuro, assim que tivesse recursos. Os ingleses aceitaram. E ele conseguiu. Mas só tomou posse quando quitou todas as suas contas com a colonizadora.
No dia 13 de setembro de 1936, finalmente foi celebrada a primeira missa num templo de peroba coberto com folhas de palmito, quando 12 famílias já estavam morando na colônia. No ano seguinte, mais 12 famílias chegaram ao povoado. A primeira escola que ensinou a língua portuguesa para os imigrantes foi construída em 1941, mesmo ano em que Koshiro Suzuki casou-se com Tereza Itsuko Abe, vinda de São Paulo (SP). Deste casamento nasceram seis filhos.
Em 1991, Koshiro Suzuki, o fundador da Colônia Esperança muda-se para a cidade, numa casa dada de presente pelos filhos, e deixa para trás seu único bem onde trabalhou toda a vida: os 10 alqueires da colônia. Em janeiro de 1993 ele morre aos 92 anos, com o seu sonho realizado.

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