Nove anos depois de ter derrotado o petista Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição de 1989, o ex-presidente Fernando Collor de Mello disse ontem, em Maceió, ter votado no antigo adversário. Collor também declarou seu voto em Ronaldo Lessa (PSB), candidato da esquerda ao governo de Alagoas e anunciou que tentará voltar à Presidência da República pelo voto direto em 2002.
Acompanhado por sua mulher Rosane, Collor (foto) justificou sua opção por Lula pela necessidade de combater a candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso. Apesar de estar com seus direitos políticos suspensos, Collor tentou obter na justiça a autorização para concorrer à Presidência, mas acabou sendo excluído da disputa.
‘‘Vou votar em Lula porque ele é o candidato que melhor representa a oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso’’, disse. ‘‘Não podemos deixar que a eleição se decida no primeiro turno a favor de Fernando Henrique; seria muito ruim se ele já ganhasse no primeiro turno’’, avaliou.
O ex-presidente não poupou críticas ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem acusou de governar para as elites e estar associado aos interesses dos grandes capitais internacionais.
Collor disse que Fernando Henrique seria ‘‘pior do que um ditador’’. ‘‘Ele é pior que isso e está fazendo um governo de lesa-pátria, fazendo negociações espúrias’’, acusou.
Collor disse que inicia, logo depois das eleições, sua campanha presidencial para 2002, quando já terá recuperado seus direitos políticos (estão suspensos até o ano 2000). Ele adiantou que vai fixar residência no Brasil - morava em Miami, nos Estados Unidos - e começará sua campanha por Alagoas e São Paulo. ‘‘Agora é pé na estrada’’, garantiu.
Na eleição de Alagoas, Collor também viu seu principal aliado, o ex-deputado federal Euclydes Mello (PRN), ter a candidatura ao governo impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por conta do problema, acabou optando pelo apoio a Ronaldo Lessa, contra o atual governador Manoel Gomes de Barros (PTB). ‘‘Acredito que estamos escrevendo uma nova página política em Alagoas’’, afirmou. ‘‘Precisa mudar a mentalidade daqueles que não governaram e daqueles que só governam para as elites’’, explicou.

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