Coleta seletiva reduz volume do lixo hospitalar
Um comitê organizado entre hospitais públicos e privados, universidades e governo municipal estuda alternativas para adequação à nova resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que começa a vigorar à partir de julho e determina que os hospitais, e não mais o município, assumam toda a responsabilidade e os encargos sobre os resíduos em serviços de saúde. Segundo essa resolução, as instituições de saúde devem elaborar um plano de gerenciamento de resíduos, no qual estará incluso todo o processo de coleta, seleção e destino final desse lixo. E entre as alternativas de viabilização, a coleta seletiva para a reciclagem apresenta-se como o maior aliado na redução do volume do lixo hospitalar e conseqüente redução no custo do tratamento dos resíduos.
A lei da Anvisa enumera todos os materiais que podem ser destinados ao reaproveitamento sem oferecer riscos à saúde e ao meio ambiente, e incentiva uma atitude que completa um círculo virtuoso de consciência ecológica, responsabilidade social e alternativa empreendedora para muitas famílias. Além disso, ela incrementa, com mais detalhes, os programas de coleta seletiva de resíduos que os hospitais de Londrina desenvolvem há alguns anos.
Eliane Aparecida Montanane e seu marido, Valdir Montanane, compram e vendem materiais recicláveis. Entre seus clientes estão o Hospital da Zona Norte, o primeiro a realizar um programa de coleta seletiva na cidade, e o Hospital do Coração, que desde sua inauguração, há 10 meses, desenvolve um programa semelhante. Os dois hospitais separam e vendem para o casal os frascos de álcool e soro vazios, caixas de papelão e papéis brancos. Isabel Cristina Santinato Sahão, diretora de apoio técnico do Hospital do Coração, destaca, entre as vantagens de destinar o lixo selecionado para reciclagem, o elevado padrão de qualidade dos materiais que a indústria farmacêutica desenvolve para embalar e proteger os medicamentos e utensílios hospitalares.
Segundo ela, é pequena a porção infecciosa do lixo proveniente dos hospitais. "Apenas 10% dos resíduos hospitalares são "infectantes", ou seja, não podem ser reaproveitados e precisam de tratamento adequado. Os demais resíduos gerados não oferecem risco biológico", ressalta Isabel Cristina.
Este lixo também pode se transformar em fonte de recursos para o hospital. O dinheiro que o Hospital da Zona Norte arrecada vendendo o material reciclável para o casal Montanane, por exemplo, vai para a "caixinha" da instituição e é usado para comprar miudezas para a manutenção. Aparecida Parra, auxiliar operacional da instituição, conta que no início, a idéia era utilizar este dinheiro para a festa de fim de ano dos funcionários, "mas acabou que tudo foi sendo revertido para o hospital. Na emergência este dinheiro serve até para comprar remédios que faltam aqui". Em fevereiro, em pleno verão, a venda dos recicláveis rendeu três ventiladores para eles.





