A adoção de práticas ambientalmente corretas no tratamento de resíduos sólidos está gerando dividendos para Ibiporã. Enquanto a maioria dos municípios brasileiros não sabe o que fazer com o lixo que produz, a cidade se tornou referência nacional na coleta seletiva, conquistando o primeiro lugar do ‘‘Prêmio 5 de Junho - Sustentabilidade na Administração Pública: uma prática de valor, respeito e sucesso’’, criado pelo Instituto de Negócios Públicos do Brasil. Ibiporã venceu na categoria ‘‘Melhor projeto de destinação de resíduos, melhor sistema de aterros sanitários’’.
  O histórico da coleta seletiva em Ibiporã começa em 1985, quando foi implantada uma usina de reciclagem no município, só que o lixo chegava todo misturado ao local. Em 2003, a gestão de resíduos passou para o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Samae), que implantou a coleta seletiva, separando os recicláveis de outros resíduos.
  Mesmo assim, a cidade ainda enfretava problemas com o lixo. O diretor de Limpeza Pública, Miguel Gardini, lembra que em 2008 não havia mais espaço para colocar lixo no aterro sanitário. Foi ai que a prefeitura decidiu contratar a assessoria de uma empresa especializada.
  A partir deste momento, a cidade de Ibiporã passou a separar o lixo em três tipos: os orgânicos, os rejeitos e os recicláveis. Entre os rejeitos estão, o papel higiênico, absorventes íntimos, fraldas descartáveis e guardanapos, e os orgânicos são as sobras de alimentos, cascas de frutas, pão velho, borra de café e alimentos estragados.
  A cidade foi dividida em três setores e a população orientada sobre os dias e horários das coletas. A aceitação foi imediata. Em menos de 3 meses, cerca de 90% dos moradores aderiram ao novo sistema. Hoje a média se mantém em 94%.
  A participação efetiva da sociedade garante o sucesso da coleta seletiva. Como a cidade tem uma população estabilizada, é fácil descobrir quem não segue as normas. Os próprios moradores ligam para informar quando alguém não separa o lixo corretamente de acordo com a escala de coleta pré-estabelecida. Neste caso, sempre está alguém que se mudou de setor na própria cidade ou alguma família que veio de outros lugares.

Lixo em menor espaço
  A separação do lixo trouxe resultados inesperados. Antes, todo tipo de lixo era colocado no mesmo espaço em uma vala com seis metros de profundidade e quase do tamanho de um campo de futebol. A área, que deveria ser usada por 15 anos, não aguentou três. Agora, apenas as cinco toneladas diárias de rejeitos são enterradas e ocupam um espaço bem menor. A utilização já superou os dois anos iniciais previstos e ainda há lugar para mais 2 anos, segundo estimativas do diretor de limpeza pública.
  O lixo orgânico, com alto índice de pureza, vai para a compostagem, gerando 50 toneladas de adubo orgânico por dia. O produto é usado nas praças e canteiros de vias públicas para melhorar a composição do solo. O lixo reciclado é levado para Londrina pela empresa que faz a coleta. A prefeitura estuda a viabilidade de criar uma cooperativa para recicladores.
  Miguel Gardini se orgulha do prêmio nacional conquistado por Ibiporã, em especial levando em conta os outros concorrentes, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. ‘‘Posso afirmar com certeza, sem presunção, que nós temos o melhor sistema de coleta de lixo do Brasil, porque ele destina os resíduos de acordo com a lei e isso é importante’’, afirma.

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