Ruth Meira
Pergunta - Que política de desenvolvimento o município tem hoje? A estratégia é atrair megagrupos ou incentivar as empresas locais?
José Cândido Miller Júnior - As duas coisas. Queremos fortalecer a base existente e conquistar novos investimentos. Nossa política nunca foi só a de trazer grandes grupos empresariais para Londrina. Dos 20 negócios fechados nos últimos dois anos, aliás, a maioria refere-se a empresas locais que expandiram os seus negócios, abriram novos empregos, vão elevar a arrecadação do município e dinamizar a economia regional.
Pergunta - Londrina tem um ‘‘pacote’’ pronto de incentivos para negociar com grupos interessados em vir para cá?
Miller - Não temos e não pretendemos ter. Procuramos entender a demanda de cada empresa com que negociamos. Credito parte do sucesso que temos tido a esse estilo de negociação. Se determinado grupo precisa de pessoal capacitado para uma função específica, nos esforçamos para que os trabalhadores sejam treinados e estejam aptos a ser contratados. Hoje temos a escola americana, de ensino regular para os filhos de estrangeiros que venham morar aqui. A estratégia é dar resposta a esses investidores para facilitar a implantação das empresas no município. É importante dizer que não temos entrado em leilão com outros municípios por investimentos.
Pergunta - Que ‘‘armas’’ o município usa neste momento para conquistar as 24 empresas com as quais negocia? E quais as chances desses investimentos se confirmarem nos próximos meses?
Miller - Tratamos cada caso isoladamente. Algumas negociações estão muito próximas de serem concluídas. Outras encontram-se em competição acirrada, especialmente quando os nossos ‘‘adversários’’ são da área da Sudene, que oferece benefícios federais, IPI e IR, basicamente, difíceis de serem batidos.
Pergunta - A agroindústria parece pouco contemplada nos pacotes de novos investimentos no município, apesar de nossa forte tradição rural. Londrina não atrai empresas desse setor?
Miller - É verdade. Mas, sinceramente, não sei dizer o que acontece. Acredito talvez que a cultura londrinense de negociar basicamente com commodities impeça uma diversificação para a atividade industrial. Nesse momento negociamos com uma empresa têxtil, mas percebemos grandes dificuldades. Nossa região não dispõe de uma cadeia fechada. Contamos apenas com uma indústria oscilante de confecções. Nos falta, por exemplo, uma tinturaria industrial. Dessa forma, um grupo têxtil instalado aqui, hoje, teria que mandar a sua produção para ser tingida em Santa Catarina, naturalmente com impacto no custo de produção. Isso afasta empresas do município. Outro exemplo recente é o do grupo Schreiber, líder no mercado norte-americano do setor de laticínios. Londrina perdeu o investimento para Rio Azul (no Sul do Estado) porque não tem uma bacia leiteira suficiente para dar suporte à indústria, famosa por produzir o queijo cheddar que abastece a rede McDonald’s.
Pergunta - Que perspectivas de desenvolvimento o município tem para este ano e o início do século?
Miller - Muito boas, como mostram claramente indicadores econômicos e sociais. O movimento no aeroporto aumentou, o consumo de energia também. A oferta de empregos está em expansão. Londrina polariza, em um raio terciário, uma região de 4,5 milhões de habitantes - o que se vê quando ocorre algum evento importante na região e a nossa rede hoteleira não dá conta de atender todos os visitantes. Estamos próximos do segundo maior mercado brasileiro, que é o interior paulista. Temos um Centro de Eventos em obras, para ser entregue até o final do ano, um grande shopping no centro da cidade quase pronto, uma Universidade considerada a terceira melhor do País, uma mão-de-obra facilmente qualificável, como nos têm dito diretores de empresas já em operação no município. A localização de Londrina é privilegiada, nosso suporte de telecomunicações é dos mais modernos do mundo, temos 83% da população servida por rede de esgoto, a energia elétrica tem custo baixo, como em todo o Paraná. A população, formada por colonizadores de mais de 30 origens diferentes, tem uma capacidade de reciclagem admirável. São diferenciais que contam muito para quem está escolhendo um município onde investir.
Pergunta - Quais são os pontos fracos de Londrina aos olhos dos investidores que se interessam em investir no município?
Miller - Podemos dizer hoje que praticamente não temos fragilidades sob este aspecto. Há algum tempo, éramos mesmo pegos de calça curta em determinados momentos das negociações com empresários. Mas vimos que as preocupações do investidor, quando ele sonda um local para se instalar, são basicamente com logística. Querem saber se há mão-de-obra pronta ou que possa ser facilmente capacitada; interessam-se pelas questões tributárias; analisam com cuidado os custos do lugar para a implantação industrial. Londrina tem resolvido as suas deficiências. É o que está fazendo agora, com a ampliação e modernização do seu aeroporto. O Porto Seco, que está pendente na Justiça, é outro trunfo importante para que o município se coloque como opção atrativa de investimento.

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