''Ho,ho,ho'', ''Bom dia, Mamãe Noel'', ''Cadê a minha bala?'' são algumas das saudações que a cobradora de ônibus Judith Navarro, de 58 anos, mais têm ouvido nos últimos dias, desde que decidiu se vestir de Mamãe Noel enquanto faz seu trabalho, atendendo os passageiros da linha metropolitana Pinhais-Guadalupe.
Judith conta que a idéia de se fantasiar já existe há pelo menos dois anos. ''Era muito trabalhoso, tinha uma burocracia para pegar a permissão com a Urbs'', diz ela, que teve o incentivo dos netos para seguir com seu plano. ''Ela queria, nós falamos que achávamos legal e ela foi atrás de autorização. É bom para ela, que gosta e se diverte e acaba passando isso também para as pessoas'', diz a neta Luana Navarro, de 14 anos, que mora com a mãe e o irmão, Rodrigo, de 4 anos, junto com a avó.
Com autorização da Companhia de Urbanização e o incentivo da família, Judith desembolsou R$ 90 para comprar a roupa de Mamãe Noel. Assim, de vestido e gorro vermelhos, botas pretas de cano alto e muito bom humor, ela pretende sair cedo de casa, todo dia, até 7 de janeiro, sempre com o propósito de passar um pouco de sua alegria também para os passageiros.
''Quero passar aos passageiros um pouco do espírito de natal, de paz e harmonia entre as pessoas'', diz a cobradora, que também enfeitou a catraca e as janelas do ônibus. Como o bom velhinho, ela distribui balas e pirulio para quem entra em seu ônibus. Mais alegria para a criançada, que agora só quer pegar o ônibus quando ela está de plantão. ''Olha o sorriso dela. É isso que eu quero ver'', diz, mostrando a reação de uma moça, que dá um largo sorriso quando vê a Mamãe Noel.
''Devia ter mais gente assim. Isso anima as pessoas, o espírito de natal fica mais alegre'', diz a enfermeira Marilene Batista dos Santos, que diariamente pega o ônibus no horário em que Judith trabalha. Outra usuária que gostou da iniciativa é a demonstradora Emanuele Bera. ''As pessoas estão fora do espírito de natal, quase não se vê enfeites na cidade. Se todo mundo fosse como ela, o natal seria mais alegre'', diz.
Alegria, aliás, é uma constante na vida de Judith. ''Se eu não conversar eu não estou feliz'', diz, contando que seus 19 anos como cobradora lhe renderam muitas boas amizades. Seu jeito descontraído também já lhe rendeu outras experiências na vida. Em 2004, foi candidata a vareadora em Pinhais, obtendo 29 votos.
No ano passado, ainda, participou de outra façanha: vender jornais por duas horas na Boca Maldita, no centro de Curitiba, vestida apenas de maiô e meias rendadas. Aqui, ela participava de uma competição para ganhar um ''hotswagen'', um Fusca 1964 especialmente projetado. Duas mil cartas foram enviadas ao concurso, que premiaria aquele que fizesse a maior loucura, e a carta de Judith ficou entre as dez selecionadas.

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