Coamo, maior cooperativa do País, corta custo para crescer
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Sid Sauer 
de Campo Mourão
Redução de despesas. Essa é a palavra de ordem da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), a maior do País. A explicação vem do próprio presidente José Aroldo Gallassini: Os lucros não tiveram o mesmo comportamento das despesas depois da implantação do Plano Real. Há mais de 20 anos dirigindo a cooperativa, Gallassini reclama que as despesas não caíram e, consequentemente, a margem de rentabilidade diminuiu. As despesas são altas e as margens pequenas.
Pelos números apresentados, no entanto, a Coamo parece ter se adaptado à nova realidade. O faturamento de 1996 foi de R$ 809 milhões, com um crescimento de 27,7% em relação a 1995. O lucro, que na linguagem cooperativista chama sobra, foi de R$ 27 milhões. É um número significativo, diz o presidente. Quase metade das sobras (R$ 12 milhões) foram distribuídas aos cerca de 18 mil sócios da cooperativa. Gallassini não reclama mais do Real porque alega que empresa sempre esteve bem capitalizada.
Não dependemos de juros de mercado e acabamos tendo mais benefícios do que problemas, ressalta. É mais fácil trabalhar sem inflação. Bronca mesmo, só com relação ao tratamento dado à agricultura. A taxa de câmbio nas exportações continua defasada, frisa. Precisaríamos ter uma margem melhor nas exportações. Em 96, a Coamo faturou R$ 200 milhões com mercado externo, mas Gallassini queixa-se da falta de uma proteção à atividade. O governo precisa proteger a agricultura, como fazem os outros países.
Ao mesmo tempo em que prega a redução de despesas, no entanto, Gallassini defende a modernização das empresas. Para ele, os dois fatores são fundamentais para a conquista de novas fatias do mercado, seja interno ou mesmo externo. O mundo está exigindo qualidade total, ressalta. É preciso olhar para fora do País para poder competir lá. Nesse ponto, o presidente da Coamo também cobra modernização do governo. As reformas administrativa, previdenciária e fiscal, principalmente, são fundamentais.
No caso da Coamo, os planos para o futuro estão bem definidos. Além da rentabilidade e da redução de despesas, a cooperativa tem um plano de expansão que vai ser levado para aprovação dos associados. Ele prevê construção de novos armazéns e a implantação de novas indústrias. A Coamo conta atualmente uma fiação de algodão, um moinho de trigo, uma destilaria de álcool, duas indústrias de óleo degomado e uma de óleo de soja refinado. Estão nos planos uma indústria de milho e uma refinaria de açúcar.
Produção para ser industrializada é o que não falta. No ano passado, a cooperativa recebeu uma produção total de 2,7 milhões de toneladas (3,2% da produção nacional de grãos). O aumento foi de 14,3% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o número de funcionários vinha caindo. De dezembro de 94 a dezembro de 96, a Coamo reduziu o quadro de 3.480 funcionários para 3.191. Mas agora são 3.688. A redução aconteceu devido à crise do setor algodoeiro. Já o aumento foi provocado pelo fim da terceirização na contratação de cortadores de cana.RAIO X
Setor: Cooperativa
Faturamento
- em 96: R$ 809 milhões
- Previsão para 97: Não fornecida
Lucro líquido: R$ 27 milhões em 96
Funcionários: 3.688


