de Campo Mourão
Redução de despesas. Essa é a palavra de ordem da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), a maior do País. A explicação vem do próprio presidente José Aroldo Gallassini: ‘‘Os lucros não tiveram o mesmo comportamento das despesas depois da implantação do Plano Real’’. Há mais de 20 anos dirigindo a cooperativa, Gallassini reclama que as despesas não caíram e, consequentemente, a margem de rentabilidade diminuiu. ‘‘As despesas são altas e as margens pequenas’’.
Pelos números apresentados, no entanto, a Coamo parece ter se adaptado à nova realidade. O faturamento de 1996 foi de R$ 809 milhões, com um crescimento de 27,7% em relação a 1995. O lucro, que na linguagem cooperativista chama ‘‘sobra’’, foi de R$ 27 milhões. ‘‘É um número significativo’’, diz o presidente. Quase metade das sobras (R$ 12 milhões) foram distribuídas aos cerca de 18 mil sócios da cooperativa. Gallassini não reclama mais do Real porque alega que empresa sempre esteve bem capitalizada.
‘‘Não dependemos de juros de mercado e acabamos tendo mais benefícios do que problemas’’, ressalta. ‘‘É mais fácil trabalhar sem inflação’’. Bronca mesmo, só com relação ao tratamento dado à agricultura. ‘‘A taxa de câmbio nas exportações continua defasada’’, frisa. ‘‘Precisaríamos ter uma margem melhor nas exportações’’. Em 96, a Coamo faturou R$ 200 milhões com mercado externo, mas Gallassini queixa-se da falta de uma proteção à atividade. ‘‘O governo precisa proteger a agricultura, como fazem os outros países’’.
Ao mesmo tempo em que prega a redução de despesas, no entanto, Gallassini defende a modernização das empresas. Para ele, os dois fatores são fundamentais para a conquista de novas fatias do mercado, seja interno ou mesmo externo. ‘‘O mundo está exigindo qualidade total’’, ressalta. ‘‘É preciso olhar para fora do País para poder competir lᒒ. Nesse ponto, o presidente da Coamo também cobra modernização do governo. ‘‘As reformas administrativa, previdenciária e fiscal, principalmente, são fundamentais’’.
No caso da Coamo, os planos para o futuro estão bem definidos. Além da rentabilidade e da redução de despesas, a cooperativa tem um plano de expansão que vai ser levado para aprovação dos associados. Ele prevê construção de novos armazéns e a implantação de novas indústrias. A Coamo conta atualmente uma fiação de algodão, um moinho de trigo, uma destilaria de álcool, duas indústrias de óleo degomado e uma de óleo de soja refinado. Estão nos planos uma indústria de milho e uma refinaria de açúcar.
Produção para ser industrializada é o que não falta. No ano passado, a cooperativa recebeu uma produção total de 2,7 milhões de toneladas (3,2% da produção nacional de grãos). O aumento foi de 14,3% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o número de funcionários vinha caindo. De dezembro de 94 a dezembro de 96, a Coamo reduziu o quadro de 3.480 funcionários para 3.191. Mas agora são 3.688. A redução aconteceu devido à crise do setor algodoeiro. Já o aumento foi provocado pelo fim da terceirização na contratação de cortadores de cana.RAIO X
Setor: Cooperativa
Faturamento
- em 96: R$ 809 milhões
- Previsão para 97: Não fornecida
Lucro líquido: R$ 27 milhões em 96
Funcionários: 3.688

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