Clube para quem gosta de livros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Sabe quando lemos um livro interessante e não vemos a hora de comentá-lo com alguém, esmiuçando cada detalhe, cada diálogo, analisando o final supreendente, mas não conhecemos ninguém que tenha lido? Vários curitibanos descobriram a solução para esse dilema, com a criação dos ''Clubes de Leitura''.
Provavelmente o maior da cidade, o Conversa entre Amigos, uma iniciativa do deputado federal Marcelo Almeida (PMDB), já envolve mais de 600 pessoas apenas na Capital. Criado há quatro anos, como forma de integrar e descontrair os funcionários do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) que se interessavam por livros, o grupo hoje é aberto a novos participantes. Naquela época, ele era chefe do Detran.
De acordo com Almeida, a idéia surgiu do livro ''Felicidade'', de Eduardo Gianetti, que conta a história de quatro amigos que fundaram um clube de leitura para fortalecer a amizade. ''Minha vida é baseada em livros. Quando li sobre essa prática decidi levá-la para o Detran. Na primeira reunião foram 12 participantes, a maioria mulheres. Depois pulou para 28. Hoje participam dos encontros cerca de 200 pessoas'', explica.
No começo, o deputado admite que era ele quem mais falava. Cativada, Aparecida Conceição Santos, 55 anos, participou do primeiro encontro e de todos os que vieram desde então. Ela já perdeu as contas de quantos livros leu, mas garante ter sido mais de 100. ''Hoje participo também de outro grupo, que se encontra uma vez por mês no Hospital Nossa Senhora da Luz. O que eu mais gosto das reuniões é compartilhar as interpretações que cada um tem'', diz.
Vendo o grupo se transformar ao longo dos anos, a funcionária pública diz que tanto grupos grandes quanto pequenos têm suas vantagens. ''No grupo pequeno dá para colocar mais o meu ponto de vista. Mas, com mais cabeças, maior a gama de informações que ouvimos'', afirma.
A escolha dos títulos fica a cargo de Almeida que compra uma média de 250 exemplares a serem compartilhados entre os integrantes cadastrados. ''Eu leio cerca de quatro livros por mês e escolho aquele que acho mais interessante, que vai agradar mais pessoas'', explica. Aparecida diz ter apreciado a grande maioria deles, mas não gostou dos títulos de auto-ajuda. Os favoritos dela foram ''Terra Vermelha'', Domingos Pellegrini Júnior, e ''O Código Da Vinci'', de Dan Brown.
No último ano, a Conversa entre Amigos passou a receber os autores das obras compartilhadas. Roberto da Mata, Cristóvão Tezza, Miguel Sanches Neto, Domingos Pellegrini Júnior e, no encontro mais recente, Laurentino Gomes, autor de ''1808''.
Após a apresentação inicial, o autor explica sobre o processo de produção da obra e em seguida responde as perguntas dos presentes. É senso comum entre eles que a sensação de falar sobre um livro com uma platéia que já o tenha lido é diferente.
O comerciante Carlos Madalosso conta que passou a ler livros com ''outros olhos''. ''Agora eu não fico mais satisfeito apenas em ler. Não vejo a hora de falar com o autor e poder ouvir da boca dele sobre a energia que ele colocou em suas palavras'', diz. Mesmo com o grande número de pessoas, ele garante que sempre há a oportunidade de levantar uma questão. ''Agora eu vou lendo já formulando as perguntas que gostaria de fazer''.


