Criada por escravos recém-libertos, com o apoio de instituições como a maçonaria, a imprensa e o exército, a Sociedade 13 de Maio era o local onde se encontrava abrigo, trabalho, saúde e assistência até a morte, como conta o historiador e escritor Edvan Ramos da Silva. ‘’Eles sabiam que não iam ser enterrados como qualquer um. É um marco histórico da escravidão no Paraná. É o ponto de referência até hoje’’, afirma Silva.
O clube contava também com o apoio da sociedade secreta Ultimatum, ligada à maçonaria, e que tinha como líder o Barão do Serro Azul, Ildefonso Pereira Correia. Além da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedicto dos Homens Pretos de Curitiba, que tinha sede na Igreja do Rosário, no Largo da Ordem. Antes da assinatura da Lei Áurea, essas entidades reuniam forças para libertar de forma antecipada os escravos, comprando suas cartas de alforria.
Com a abolição da escravatura no Brasil e a fundação da Sociedade 13 de Maio, em 1888, Curitiba tornou-se um centro de referência para libertos de todo o Paraná e até dos estados vizinhos, recebendo ex-escravos do interior de São Paulo e de Santa Catarina. ‘’Lá, eles realizavam reuniões sociais, trocavam ideias profissionais e conseguiam trabalho. Sabiam que podiam contar com essa instituição’’, ressalta Silva.
Após a extinção da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedicto, nos anos 30, e a miscigenação que se seguiu nos anos 50, 60 e 70, a Socidade 13 de Maio foi perdendo força. ‘’Ninguém mais queria ser preto em Curitiba. Muitos se juntaram aos quilombos e, dos que ficaram, todo mundo queria frequentar clubes de brancos’’, observa Silva. ‘’Faltou continuidade. A história do Paraná ainda tem muita coisa escondida. A Maria Bueno, por exemplo, era filha de escrava e frequentava a 13 de Maio. Não é aquela mulher branca que está lá (no Cemitério Municipal)’’, destaca o historiador.
Hoje a Sociedade 13 de Maio tem os títulos de Utilidade Pública e de Unidade de Interesse Especial de Conservação. Este concedido pela Prefeitura de Curitiba, em 2001, por seu valor histórico e cultural para a comunidade. Para Silva, ainda é pouco. ‘’É o único marco da escravidão no Paraná. Poderia ter apoio da Secretaria de Estado da Cultura e da Fundação Cultural de Curitiba’’. (D.R.)

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