Clube do Feijão Amigo
Fernando AugustoMichel Ness viaja o Brasil e o mundo para participar dos encontros da confrariaArroz, feijão, bife, ovo e salada. O cardápio não é dos mais refinados, mas é em torno dele - sempre o mesmo - que se reúnem há 15 anos os membros do prosaico Clube do Feijão Amigo. Não é um clube de gourmets, embora possa parecer à primeira vista - na verdade reúne pessoas ligadas a turismo, apenas para confraternizar. Na última quarta-feira, o Hotel Bourbon de Curitiba sediou um desses encontros, sempre capitaneados por Michel Tuma Ness, criador informal do clube.
A idéia nasceu em São Paulo, quando a agência de viagens de Michel Ness resolveu fornecer almoço a seus funcionários, que até então traziam marmitas de casa. Fanáticos por arroz e feijão, eles não queriam saber de outra coisa.
Os amigos de Ness, gente do trading turístico, passaram a frequentar o mini-restaurante e a se reunir uma vez por semana em torno do feijão. Em um ano, 120 pessoas já tinham participado dos encontros. No ano seguinte, esse número já chegava a 400. A fama foi se espalhando e hoje quase todos os estados brasileiros têm seus representantes do clube. Na festa de aniversário, que acontece em outubro, reunimos no último ano cerca de 3 mil pessoas, relata Ness, presidente da confraria desde a sua fundação.
No começo, o arroz com feijão era um verdadeiro clube do bolinha. Agora, mais democrático, recebe mulheres, embora só os homens tenham direito a carteirinha. O Paraná é o único estado brasileiro a ter uma mulher à frente da seção local do Feijão Amigo: Maria Helena Canet, dona da agência de viagens SSA Turismo. Para se vingar, as mulheres também se reuniram em Porto Alegre no Clube do Arroz Amigo.
O Clube do Feijão Amigo já é tão conhecido que chega a terras além-mar. A convite de hoteleiros e agentes de viagem, Michel Ness e alguns representantes do clube já levaram feijão, farinha, caipirinha e outras especialidades brasileiras, para encontros semelhantes em cidades tão distantes quanto Lisboa, Bogotá ou até Bangkok.
O notável é que tudo funciona tão bem que ninguém paga nada. As companhias aéreas dão as passagens, os hotéis oferecem hospedagem e alimentação, a Antarctica fornece o chopp, num raro exemplo de que a união faz a força. Sempre em torno do feijão, é claro.





