Se você é mulher pode já ter se deparado com situações constrangedoras na hora de comprar um produto ou serviço. A vergonha por ser atendida por homens dependendo do que irá solicitar pode representar uma barreira. Às vezes o fato de possuir homens no mesmo local já limita a liberdade de algumas mulheres. Os estabelecimentos exclusivos para elas fazem sucesso há algum tempo, como salões de belezas e estética, por exemplo. Mas agora outras empresas viram neste mercado uma chance de atrair mais clientes. São academias de ginástica, escolas de teatro, auto-escolas e sex shops que resolveram se concentrar no atendimento feminino.
  No começo do ano, a atriz e professora Vanessa Corina, 31 anos, montou uma turma de teatro apenas para mulheres. As aulas são realizadas na Escola Pé no Palco e elas estudam as personagens femininas dos filmes do cineasta Pedro Almodóvar. ‘‘Ele tem a característica de trabalhar com mulheres fortes que representam o universo feminino’’, explica Vanessa. A professora explica que as aulas são bem diferentes das que acontecem nas turmas mistas com pessoas dos dois sexos. Nos encontros as alunas levam elementos como maternidade, ancestralidade, emoção e paixão. ‘‘Lidamos com toda essa loucura que está impregnada na mulher’’, conta Vanessa.
  Uma das alunas da turma é a professora de educação física e yôga Giselle Maltaca, 31. Ela foi atraída pela turma só para mulheres pois ficou curiosa sobre o que iria ser realizado nas aulas. Hoje acredita que elas conseguem expressar as idéias livremente quando estão apenas entre pessoas do mesmo sexo. ‘‘Nos soltamos mais. Aflora a nossa verdade’’. Giselle possui um namorado que brinca não acreditar na existência de apenas mulheres na turma. Mas como ele é fã de teatro incentiva a professora a participar.
  No grupo de teatro feminino as alunas dividem os sentimentos e conseguem se identificar com as colegas. Isso é o que considera a atriz Maíra Lour, 29. ‘‘Tem umas que são mais práticas, outras mais sensíveis e apaixonadas. Juntamos tudo isso em uma panela só e o resultado é ótimo. Todas trazem as experiências da vida e acabamos nos vendo nos olhos das outras mulheres’’, diz Maíra. Atualmente a turma conta com 16 pessoas.
  Mas não é só no teatro que Maíra escolhe serviços exclusivos para o sexo feminino. Há alguns dias recebeu um panfleto com a propaganda de um sex shop só para mulheres. ‘‘Estou louca para ir. Imagine ir em um lugar assim sem precisar ficar com vergonha e ser atendida também só por mulheres’’. Ela acredita que os serviços apenas para elas não representam a segregação dos sexos, mas valoriza o ambiente feminino.
  Viver este universo nos palcos foi o que atraiu a atriz Julyana Spriscigo, 34. Ela diz que as mulheres se entregam durante as aulas sem nenhum pudor. ‘‘A gente se solta mais. Não nos incomodamos com o que as outras estão pensando. Na vida geralmente as mulheres são competitivas, mas aqui não pois todas têm o mesmo objetivo’’. Ela acha que uma turma exclusiva para homens poderia funcionar, mas seria outra linha de estudo. A professora Vanessa acredita ser uma boa idéia, desde que o professor também seja do sexo masculino.

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