Clima natalino invade as ruas mais cedo
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sexta-feira, 09 de novembro de 2007
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Outubro ainda nem havia chegado ao fim e o sobrado onde mora a família Azevedo, em Santa Felicidade, já estava todo decorado com motivos natalinos. Os enfeites foram cuidadosamente dispostos na sala, nos dois quartos, no banheiro, na cozinha e até no corrimão da escada. Mas, o que chama mesmo a atenção de quem passa em frente à casa é a varanda, no segundo andar.
Bonecos plásticos que se transformam em luminárias à noite compõem o presépio, representando José, Maria e o menino Jesus. A parede principal do cômodo recebeu um revestimento de tecido especial e papel que imita a textura de pedra, deixando o cenário ainda mais interessante. Além de Papai Noel iluminado, há também duendes de pano usados para prender as cortinas. A grande novidade, porém, é um Papai Noel que solta bolhas de sabão.
Quem está à frente de tanto capricho é a dona de casa Shirlei Boehm de Azevedo, que herdou do pai colecionador de miniaturas de Papai Noel o gosto pela decoração natalina. Como reza a tradição, ela só pretende retirar os enfeites em seis de janeiro, quando é comemorado o Dia de Reis. Mas, não estaria muito cedo para se dedicar à tarefa de preparar tudo à espera do 25 de dezembro? Assim a gente pode aproveitar mais, argumenta Shirlei.
Ela conta que desde que casou, há oito anos, nunca deixou de caprichar nos detalhes natalinos. A dedicação é tamanha que a varanda foi fechada com janelas justamente para abrigar a decoração especial. Eu sempre tive isso em casa. O meu marido não estava acostumado, a família dele não fazia isso, mas ele passou a gostar também, principalmente depois que nasceu nosso filho, hoje com cinco anos. Ele aproveita bastante, comenta Shirlei, que planeja passar a noite de Natal na casa de praia. Mas parte da decoração vai junto, garante.
Observar a montagem antecipada da decoração natalina no comércio especializado em vender artigos para a data, nos shoppings e hipermercados não é nenhuma novidade. O que vem chamando a atenção de muita gente é o fato de que, além de residências, lojas e empresas em geral, como agências de publicidade e clínicas, estão investindo cada vez mais cedo na colocação dos enfeites. Nós mantemos a tradição de ser os primeiros a instalar a decoração nesta rua, diz Ana Luísa Althoff, recepcionista de uma loja paulista de móveis planejados, instalada há mais de 30 anos na Avenida Getúlio Vargas, no bairro Água Verde. As pessoas olham, comentam (a respeito da decoração) e acabam entrando. Em várias ocasiões, esse contato resulta em vendas, ressalta.
A possibilidade de que a visível antecipação da decoração de Natal esteja associada ao ritmo veloz em que vive a sociedade contemporânea é considerada pela psicóloga Jocelaine Martins da Silveira, professora de análise do comportamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ela, porém, indica que há uma justificativa maior para essa iniciativa. O fator consumo é mesmo o que influencia esse comportamento, já que os ritos religiosos não tiveram as datas alteradas, observa.


