É bem verdade que o clima de um canteiro de obras, onde predomina a presença masculina, muda um pouco com a chegada das mulheres. Trabalhando na construção civil desde a década de 70, o pedreiro Júlio Correia, de 60 anos, conta que, no seu tempo de rapaz, as mulheres só entravam na obra para trabalhar na limpeza. Apesar do estranhamento da novidade, ele afirma que o ambiente ''muda para melhor'' com a companhia delas. ''O pessoal fica mais sério'', observa.
Neila Maria trabalha na construção de um conjunto habitacional no Bairro Novo há alguns meses e também percebe a diferença. ''Quando chega mulher eles respeitam mais'', avalia. Elas são naturalmente poupadas pelos colegas das tarefas mais pesadas, como rebocar a massa, mas são escaladas para serviços onde a paciência e o capricho são necessários, como o rejunte e a pintura. ''Em São Paulo quase só tem mulher na pintura, elas economizam tinta e não sujam tanto'', explica o mestre de obras José do Nascimento.
Ainda assim, algumas características do convívio entre os diferentes sexos se mantêm. ''Alguns tratam a gente tipo mulher mesmo, convidam para tomar uma cervejinha'', confessa Neila, que garante que ainda não topou nenhum convite até o momento. Mesmo assim, tudo no ''maior respeito''. (A.A.)

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