Na próxima quadra, entre a Avenida Marechal Floriano e a Alameda Dr. Muricy, nenhuma figura em particular chama a atenção. Partimos para a última quadra. Ali está a Boca Maldita, onde os cafés são ponto de encontro para acaloradas discussões políticas. Da metade da quadra para frente, em direção à Rua Luiz Xavier, uma clareira se forma no meio da rua. A explicação é simples: ali é o lugar de trabalho do ''sombra'' - aquele palhaço que imita o andar e trejeitos de quem passa e que, para muitos, não tem a menor graça.
Adoto estratégia semelhante à da maioria dos pedestres. Vou para uma das laterais para evitar ser alvo do artista de rua. Os clientes do Savoy são a platéia do sombra e é ali - outro ponto tradicional da XV - que abordamos ou tentamos abordar nosso próximo personagem: o garçom Nelson Ribas, o segundo mais antigo da casa - serve chope, aperitivos, lanches e refeições há 29 anos. ''Agora não dá pra falar. Olha o tanto de mesas que têm para atender'', diz ele apontando para os sedentos clientes. Entre um pedido e outro, eu insisto: o senhor tem idéia de quantas pessoas atende por dia? ''Ah, acho que umas 300 ou 400'', responde com pressa, mas muita simpatia.
O paulista José Ricardo Alcaras, outro garçom do Savoy, está no seu intervalo de descanso e se dispõe a dar entrevista. ''Estou aqui há três meses, mas conheço o Savoy já há uns 15 anos. Por aqui, passa todo tipo de gente, de todas as classes sociais. Tem muito turista, também, que vem aqui. Inclusive, estrangeiros: alemães, americanos'', relata ele. O Savoy, também, é ponto de encontro de garçons e de quem trabalha no ramo, revelou Alcaras, que acredita serem as ''fofocas'' do que acontece no Estado o principal atrativo do lugar.
A última missão de nossa via-sacra é conseguir um bom ângulo para uma foto geral da Rua XV. A repórter fotográfica Letícia Moreira, que me acompanha, sugere o edifício Tijucas - o mais alto e um dos mais antigos do calçadão. O porteiro (descuido meu não perguntar seu nome), muito prestativo, leva-nos até o topo do prédio. Trinta andares e 13 degraus depois e estamos no terraço. A visão é privilegiada. Mas, vista de cima, o charme da Rua das Flores é outro, já que o emaranhado de pessoas e sons, do alto, é imperceptível. (A.L.)

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