Clientes de todos os bolsos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de fevereiro de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Quem nunca procurou uma liqüidação, produtos em oferta ou mesmo fez pesquisa de preços, entre um estabelecimento e outro, antes de decidir pela compra. Para algumas pessoas, esse não é só um hábito eventual, mas uma opção rotineira. Há regiões em Curitiba que concentram comércio voltado a atender o perfil desses compradores, como é o caso da Praça Rui Barbosa, no centro da Capital, por onde circulam milhares de pessoas todos os dias. As alternativas de lojas de preços populares é grande e a variedade de produtos também: desde alimentos, a roupas, calçados, utensílios domésticos e até medicamentos.
Cliente fiel dos Armazéns da Família da Prefeitura de Curitiba, Doracy Andreatta, prefere fazer as compras de gêneros alimentícios ali para fazer render a pensão de um salário mínimo (R$ 380,00) única renda que recebe por mês. Tem que procurar. Aqui tem coisas boas pra gente, disse ela.
Eu sempre escolho o lugar onde está mais barato, simplificou a aposentada Latif Fadel, que sustenta a casa em que mora com a mãe com os R$ 380,00 mensais que recebe de aposentadoria. Temos casa própria. Assim dá para se manter com um salário mínimo, ponderou. Na hora de cuidar da saúde, dona Latif conta que, também, procura as farmácias populares para conseguir remédios mais baratos.
Renda de até três mínimos
Nos Armazéns da Família, que fazem parte de programa social da Prefeitura de Curitiba, o usuário tem que ser cadastrado e comprovar renda familiar de até três salários mínimos. Por isso, o público tem perfil semelhante. Mas, em outros locais de preços populares, como é o caso das lojas de R$ 1,99, os clientes se misturam entre baixa renda e classe média.
A constatação é da proprietária de uma loja de R$ 1,99, na Praça Rui Barbosa, Ana Rachwal. Segundo ela, a maioria dos clientes é de pessoas de situação financeira menos favorável, que compram mais alimentos e doces. Mas, há, também, muitos clientes de classe média, que optam por comprar, em uma loja popular, produtos das mesmas marcas que encontram em outras lojas, só que a preços mais acessíveis. Esse público, em geral, busca mais utilidades domésticas e louças, contou a dona da loja.
A zeladora Sônia Rodrigues diz ir com freqüência a lojas de R$ 1,99, na maioria das vezes, para comprar utensílios de cozinha, como talheres, potes plásticos e fôrmas. Tem produtos de qualidade e com bons preços, afirmou ela. Sônia conta que não costuma procurar outras opções de compra a preços populares, pois, como é sozinha, consegue se manter com o salário de R$ 575,00 sem ter que fazer muitos malabarismos com o orçamento.
Renovando o
guarda-roupas
Em tese, Lenoir Fernandes, também, não precisaria se esforçar muito para economizar, já que o marido ganha razoavelmente bem como caminhoneiro entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. Mas, na prática, a dona de casa não abre mão de pesquisar preços e procurar lojas populares, principalmente, para as compras de roupas. Tem gente que prefere pagar mais caro por roupas de marca. Aqui você encontra produtos de qualidade semelhante, mas até três vezes mais baratos, avaliou Lenoir, que bisbilhotava algumas peças infantis em uma loja popular.
O casal Luciana dos Santos e Robinson de Bastos, também, dá preferência para as lojas populares na hora de renovar o guarda-roupas. Observamos preço e qualidade. Com certeza, em lojas como esta, é possível encontrar roupas boas por até metade do preço de outros lugares, afirmou Robinson, que mantém a mulher e o filho Juan Carlos com salário de R$ 1,2 mil.
Maioria é classe trabalhadora
A gerente da loja, que está há 20 anos em Curitiba, Luciana Cristina da Silva, afirmou que a grande maioria dos clientes é da classe trabalhadora, assalariada. Ela acredita que a Capital oferece muitas opções de compra para esse público e, ainda assim, tem espaço para crescer mais. Tanto que pretendemos abrir mais uma loja, na Rua XV de Novembro, revelou Luciana, lembrando que há outros duas filiais já instaladas uma na Rua Pedro Ivo e outra na Praça Rui Barbosa.
Por mês, cerca de 300 mil clientes passam pela loja em que Luciana é gerente. Isso em meses calmos, observou ela, acrescentando que em maio e dezembro, meses de maior movimento por causa do Dia das Mães e do Natal, o movimento é quase 70% maior: cerca de 500 mil clientes. Os preços são, de fato, atrativos, garante ela. Vão desde R$ 1,00, um par de meias, blusinhas a R$ 3,00, até roupas chamadas de modinha, cujos preços variam de R$ 14,90 a R$ 39,90.


