Curitiba - O desembargador Clayton Camargo venceu nos pênaltis a disputa pela presidência do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, após um empate com Guilherme Luiz Gomes no segundo turno da eleição interna. Ambos fizeram 56 votos cada, mas como Camargo possui mais tempo de TJ que Gomes, ele conquistou a vaga pelo critério de antiguidade. Há 15 anos no Judiciário Estadual, Camargo assumirá a vaga de Miguel Kfouri Neto em fevereiro de 2013. O mandato é de dois anos.
O resultado surpreendou quem esperava uma vitória fácil do magistrado Guilherme Luiz Gomes, preferido de Kfouri no processo sucessório. Atual responsável pela estatização dos cartórios no Paraná, Gomes chegou a liderar o pleito no primeiro turno, quando obteve 40 votos contra 36 de Camargo, 21 de Sérgio Arenhardt e 18 de Regina Portes. Conforme o regramento interno, se ninguém obtivesse maioria simples dentro do colégio eleitoral de 120 desembargadores, ou seja, 61 votos nominais, haveria segundo turno entre os dois mais votados.
''Foi um pleito profundamente democrático, marcado pelo respeito mútuo entre os candidatos. Um exemplo do exercício pleno da democracia dentro do TJ. Desejo uma profícua gestão à nova cúpula'', declarou o atual presidente do tribunal para a FOLHA. Em Brasília, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná, José Lucio Glomb, expressou bem o sentimento de surpresa provocado pela eleição. ''Qualquer pessoa que fosse eleita presidente do TJ deve ter em mente que a sua atuação é das mais importantes para o Estado. Deve respeito à legalidade e obediência aos princípios constitucionais'', afirmou Glomb.
Pai do deputado estadual Fábio Camargo (PTB), o futuro presidente do TJ administrará um dos maiores orçamentos públicos do Paraná, estimado em R$ 1,5 bilhão só para 2013. Na Assembleia Legislativa (AL), os primeiros a cumprimentarem Fábio foram Alexandre Curi (PMDB), Nelson Justus (DEM) e Romanelli (PMDB).

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