Claustrofobia...
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de abril de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Negar uma fobia, um medo, é um bom começo para conseguir fugir dela. Ou talvez esquecê-la. Mas não consigo me livrar do terror que tenho dos ditos ambientes fechados. Gosto do sabor de liberdade. Da asa delta. Dos aviões. Das motocicletas. Do vento batendo no rosto, nos cabelos...
Gosto de velocidade. Da praia. Da natureza. Da sensação de que ainda não terminou. Da satisfação de saber que vale a pena viver...
Fico agoniada com carros que mantenham os vidros fechados. Mesmo numa cidade como Curitiba, com violência crescente e constantes assaltos em semáforos, tenho que manter os vidros abertos. E não me venham com ar condicionado. Preciso da naturalidade do aroma dos ventos...
Elevadores? Tento conviver com eles. Mas confesso que fico calada. Parece que se eu me mexer um pouco mais, o ar pouco que resta se dissipará...
Já tive problemas por ser uma amante dos ventos. Na minha adolescência (e já se vão alguns anos) fui repreendida várias vezes por querer manter os vidros do ônibus abertos. É como se fosse uma estranha no ninho.
É uma questão de saúde pública tentava eu justificar.
Ninguém nasceu para preso ficar...
Só sou fascinada por uma maneira de ficar sem ar: no mar. Ali, sou a senhora da decisão. Posso sair da água a qualquer momento. Sem medo de me afogar. De deixar o ar faltar...


