Com crescimento de 62% em cinco anos, a classe C - que passou de 62,7 milhões de pessoas em 2005 para 101,6 milhões em 2010 - impõe mudanças ao mercado imobiliário. Para atender esse público, não basta apenas aumentar a escala de produção. É preciso conhecer as expectativas e desejos de uma parcela da população que experimenta aumento de renda e, assim, demonstra cada vez mais interesse em comprar o primeiro imóvel.
A opinião é de João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) de São Paulo e da Comissão Nacional da Indústria Imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). De acordo com ele, Pesquisa do Instituto DataPopular aponta que 9,9 milhões de pessoas da classe C disseram ter interesse em comprar imóvel ou terreno nos próximos 12 meses. Até 2022, essa demanda pode chegar a 23 milhões de candidatos a compradores de imóveis, conforme estimativas da Fundação Getúlio Vargas.
''Temos de nos preparar não somente para lançar e vender bons produtos, mas também para administrar esses novos espaços e mantê-los em excelentes condições de uso, por muitos anos'', considera. A conquista desse público depende da oferta de imóveis compactos e que caibam nos bolsos desses consumidores.
Em ordem de importância, conforme pesquisa do Instituto DataPopular, esse público quer infraestrutura de segurança, localização próxima ao serviço de transporte público, vaga na garagem, grande área de lazer com piscina, playground, quadras e salão de festas, localização próxima a parentes ou amigos. O que eles mais temem: não conseguir acabar de pagar o imóvel, não obter financiamento, atrasar o pagamento das parcelas, não receber o imóvel, e não conseguir pagar aluguel e prestações ao mesmo tempo.
Outra necessidade é conhecer o perfil do comprador. Conforme Crestana, na classe C, 41% das mulheres são chefe de família e os jovens desse segmento social estão estudando mais e ganhando mais do que os pais. ''Entender o consumidor e qual o tipo de imóvel que ele almeja é fundamental'', reforça.
Para ele, se a empresa não conhecer essas peculiaridades, a divulgação boca a boca de seus serviços ou produtos deixa de ser oportunidade para se transformar em risco, ''potencializado diante do poder das redes sociais, como blogs, Twitter e Facebook, acessíveis por 18 milhões de pessoas da classe C que usam a internet''.

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