Cirurgia combate a obesidade
O Hospital Universitário de Maringá (HU) é o primeiro hospital público do interior do Estado a fazer a gastroplastia vertical em obesos mórbidos do Sistema Único de Saúde (SUS). A gastroplastia é a cirurgia do aparelho digestivo que faz um grampeamento da região, criando um novo estômago, com apenas 2% do seu tamanho original. Com isso, a pessoa come apenas o necessário para sua sobrevivência, sem precisar fazer dieta pela simples razão de não ter a mesma fome de antes.
Obeso mórbido é aquele que tem índice de massa corpórea acima de 40. Chega-se a esse número dividindo-se o peso da pessoa pela sua altura ao quadrado. Normalmente essas pessoas pesam mais de 130 quilos. Uma pessoa com 1,70m de altura e 115 quilos já pode ser considerada um obeso mórbido.
O primeiro paciente do SUS a fazer a gastroplastia pesava 135 quilos e tem 1,59m de altura. Ele foi operado no último dia 15 de março e já está em casa se recuperando. O médico que trouxe a cirurgia para Maringá e que está realizando as operações no HU é o professor do curso de Medicina da UEM Daoud Nasser. Ele aprendeu a técnica da gastroplastia com o professor Artur Garrido, da USP, que há mais de 20 anos desenvolve o tratamento do obeso mórbido através da cirurgia. Em Maringá, já realizou a operação em 14 pacientes, e todos estão muito bem. Alguns perderam mais de 100 quilos.
Nasser explica que o obeso mórbido tem uma incidência maior de outras doenças associadas, como diabetes, falta de visão, problemas nos rins, hipertensão e problemas de circulação. Este tipo de obesidade é a união de fatores genéticos com o meio ambiente em que a pessoa vive. O obeso mórbido gasta menos calorias do que ingere e incorpora essas calorias ao tecido adiposo. Ele morre mais cedo do que os outros. O cigarro é a primeira. Isto sem contar a questão emocional: este obeso não tem auto-estima, é introvertido, se refugia em casa, se envolve com alcoolismo, tem dificuldade para arranjar emprego, não consegue comprar roupa em qualquer loja. A gastroplastia é o tratamento definitivo da obesidade mórbida, afirma Nasser.
Antes de se submeter à gastroplastia, o paciente passa por uma avaliação psicológica. A decisão de operar não é imediata. Existe uma avaliação clínica para que a pessoa possa entrar no programa e se preparar para a gastroplastia. Psicólogas treinadas especialmente para tratar de obesos coordenam terapias individuais e de grupo, além de reuniões com obesos mórbidos já operados e em recuperação.
No primeiro mês, o paciente perde aproxidamente 10% de seu peso inicial; um ano depois, pode ter perdido cerca de 50% de seu peso original. Em média, os pacientes operados por Daoud tinham 170 quilos.Marcos NegriniO mestreDaoud Nasser mostra como o estômago é seccionado: obeso perde auto-estima e morre mais cedoMarccio W. Varella





