Acho que foi em 1967. Milanez chamou a mim e ao Mineiro para propor um desafio. Nós dois estávamos trabalhando juntos em atividades paralelas - ele era gráfico - e já tínhamos sido colegas em outro jornal. Eu fazia a página de esportes lá - ao tempo em que trabalhava na Rádio Paiquerê - e o Mineiro era gráfico do jornal. Depois, nos reencontramos na Folha e acabamos fazendo juntos a Folha 7, jornal do centro acadêmico dos alunos da Faculdade Estadual de Direito, também o jornal dos alunos da Faculdade de Filosofia (o presidente daquele diretório era Álvaro Dias), lançamos um Guia de Londrina, editamos, junto com Antônio Belinati, o novo - da época - Código Nacional do Trânsito, a legislação do ICMS, do FGTS, até um livro sobre o Miss Paraná.
No dia em que nos chamou, Milanez foi claro: ‘‘Quero vocês para cuidar da circulação da Folha’’. A Folha circulava pela ‘‘linha do asfalto’’, de Londrina a Apucarana. De vez em quando chegava a Jandaia do Sul. O que entornou o caldo foi o fato de que justo no dia em que uma jovem de Jandaia do Sul foi eleita Miss Paraná, o motorista decidiu que não iria até lá.
Foi quando assumimos com a missão não só de ir a Jandaia mas de levar a Folha a todo o Paraná. Um desafio porque a gente sabia, como seu João também, que levar o jornal era uma coisa: fazê-lo ser comprado e aceito era outra. Para conseguir isto, era necessário divulgar a cidade, a região. Começamos a fazer o trabalho duplo: levar o jornal, trazer a notícia.
Levamos a Folha a todo o Estado. Antecipavamos o governo, chegando antes do asfalto. Abrimos sucursais. Colocávamos o jornal à disposição dos municípios, dos prefeitos, da população. Eu e o Mineiro nos tornamos membros efetivos da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amepar), com direito a palavra, com participação nos debates e até no encaminhamento dos problemas regionais. Participamos de discussões da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). Acabei ganhando da AMP o título de Benemérito do Municipalismo, um reconhecimento ao nosso trabalho.

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