Cinemas invadem os shoppings
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Zeca Corrêa Leite 
Não vai ser por falta de cinema que o curitibano terá que ficar em casa se distraindo com enlatados das emissoras ou fitas alugadas. Nesta sexta-feira o Crystal Plaza Shopping Center, no Batel, inaugura cinco salas, enquanto o Shopping Curitiba que está com três em funcionamento prepara-se para abrir mais três. Daqui a sete meses a Estação Plaza Show entra no páreo com outros dez cinemas. Haja filmes!
A contrapartida ao fechamento de salas, ocorrida a partir dos anos 70, está esquentando o setor neste final de década. Mas por que os novos endereços são os shoppings? Por uma simples razão, a segurança, responde Arnaldo Zonari Filho, da Vitória Cinematográfica, uma das empresas exibidoras que sua família comanda há mais de 40 anos.
A esse item juntam-se outros, como o da economia e comodidade. Evita-se gastar em estacionamento, andar pelas ruas em horas avançadas e enfrentar o mau tempo. Sem contar que no mesmo lugar (climatizado) tem-se lanchonetes, cafezinhos e restaurantes.
Zonari decreta: Os cinemas de rua estão praticamente com seus dias contados. Ele acredita que dentro de dois anos as velhas salas estarão fechadas, atropeladas mortalmente pelos novos tempos. Daqui para a frente os cinemas dos shoppings é que vão comandar a cena.
Marcos Paulo, administrador da empresa Luiz Severiano Ribeiro, a maior distribuidora de filmes do País, responsável pelas cinco salas do Crystal Plaza, concorda que tudo é questão de evolução. As casas exibidoras diminuiram de tamanho, transformaram-se em âncoras de shopping e, conforme a procura do público, um mesmo filme pode ser exibido simultaneamente em várias salas.
Uma coisa é certa: a concorrência será mais acirrada. Nesta briga por detrás das telas, o beneficiário deverá ser o espectador que terá maior conforto e qualidade na projeção e som, elemento de luxo nos cinemas brasileiros.


