Cinema de rua, um negócio viável?
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Os cinemas de rua, em Curitiba e outras cidades brasileiras, são poucos. "No momento, é só para quem gosta mesmo. Foi-se o tempo em que havia outros 20 aqui por perto", comenta Jorge Luiz de Souza, 42. Seu pai, Jorge de Souza, prestes a completar 80 anos, transformou o Cine Morgenau em cinema pornô em 1984. "O que foi e ainda é uma opção comercial. Hoje, só conseguimos mantê-lo aberto porque não aceitam esse gênero nos shoppings", explica o filho, que trabalha há 25 anos no local. A entrada custa R$ 6. O cinema de rua com 80 poltronas na Conselheiro Laurindo, próximo à Rodoferroviária, é um dos últimos remanescentes e recebe entre 30 e 40 clientes por dia. As sessões são ininterruptas, das 10 às 21 horas, e os filmes têm títulos tão 'cabeludos' que Jorge Luiz prefere não revelá-los aos clientes por telefone. "Brasileiro tem tanta criatividade com título de filme que é uma desgraça", completa.
No circuito dos filmes "comuns", como diz o próprio Jorge Luiz, dos espaços para cinema de rua restam apenas o Cine Luz e a Cinemateca, ambos administrados pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC). "Acredito que é não apenas viável como também necessário", afirma, categórico, Francisco Alves dos Santos, 62, diretor da Cinemateca de Curitiba. "É importante para a divulgação da diversidade cultural. Muitos dos filmes não chegam aos shoppings. Também, para atender um público que está ávido por isso e não tem condições de pagar muito." Durante a semana, os ingressos custam R$ 5, a inteira, e R$ 2,50, a meia. Enquanto a sala mais cara de shopping cobra R$ 21 no valor da inteira aos domingos, nas salas da FCC a entrada sai a preço único: R$ 1. Santos acredita que três fatores levaram ao fechamento das salas: especulação imobiliária, deterioração dos prédios e segurança. "Os shoppings vieram para ficar. Mas com políticas públicas eficientes, não há razão para fechar os cinemas de rua."


