CINCO ANOS DEPOIS - Top internacional Michelle Alves fala sobre vida depois do terror
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2006
Giovana Kindlein<br> Editora de Mundo 
A top internacional e uma das mais importantes do Brasil, Michelle Alves, que está em Londrina na casa dos pais, fala com exclusividade à Folha, e diz como ficou a vida depois da queda das torres gêmeas em Nova York. À espera de seu primeiro filho com o namorado e futuro marido, o israelense Guy Oseary, que é sócio de Madonna na gravadora Maverick, ela diz que volta aos Estados Unidos nos próximos dias.
Folha- Depois da queda do World Trade Center em Nova York, o clima de insegurança se propagou, a vigilância sobre as pessoas cresceu... Você sente isto no seu dia-a-dia?
Michelle Alves - Não nas ruas de Nova York, Los Angeles ou Miami. Mas todas às vezes que pego um avião. Os pontos de segurança são intermináveis, precisamos mostrar nossos passaportes a todo momento. Até mesmo o sistema de vistos mudou. Antes de 2001 poderíamos renovar ou tirar um visto para os Estados Unidos de qualquer território não americano (de qualquer país que estivéssemos), hoje somos obrigadas a voltar ao nosso país de origem para tirar o visto.
Folha- Você se sente insegura nos Estados Unidos?
Michelle - Qualquer país do mundo tem seus perigos. Os ataques terroristas normalmente acontecem em lugares específicos. É lógico que nunca sabemos quando e onde o próximo será, mas diferente de um furacão, se trabalharmos direitinho, ainda conseguiremos interceptá-lo antes que aconteça! Para falar a verdade, me sinto mais segura em Nova York do que no Rio de Janeiro. Até mesmo em Londrina, a criminalidade dobrou desde o ano de 2000.
Folha- Com o aumento das medidas de segurança o que mais mudou na sua vida?
Michelle - Fica um pouco mais trabalhoso viajar, já que isto faz parte do meu cotidiano (às vezes chego a fazer três viagens internacionais numa mesma semana). Nunca despacho malas, como estou sempre na correria, até o tempo de esperar as malas chegarem é contado, entao prefiro carregar tudo comigo.
Folha- Você viajou de avião pelos EUA ultimamente? O que você acha das novas regras, como por exemplo, confiscar os batons da bagagem de mão?
Michelle - No último mês, Londres teve todos os seus aeroportos em estado de alerta máximo! As bagagens de mão foram interditadas. Aos passageiros eram permitido levar apenas um saquinho plástico contendo o passaporte, a passagem, dinheiro fora da carteira e um par de óculos de leitura fora da caixinha. Eu estava de férias em Londres e estava com meu laptop e minhas câmeras e outros itens que não poderiam ser despachados, além de que minhas malas estavam lotadas! A minha passagem seria para o dia seguinte. Eu ainda não estava preparada para deixar minhas distrações de vôo e ficar horas nas filas de segurança do aeroporto, grávida, para ver meu vôo sendo cancelado. Eram minhas férias e eu queria descansar. Resolvi ficar mais alguns dias e esperar a poeira abaixar. Finalmente permitiram aos passageiros levar uma pequena bolsa de mão, apertei tudo nesta bolsinha que seguia as dimensões requeridas. Fiquei pensando no meu filho... que desconforto teria sido pra ele...Tudo isso? Nem papinha de bebê estava sendo permitido. Batom seria o de menos!
Folha- Você acha justo que os agentes de inteligência possam grampear ligações telefônicas, vasculhar e-mails e inspecionar extratos bancários sem precisar de indícios consistentes de que a pessoa investigada seja suspeita?
Michelle - É uma faca de dois gumes! Esta invasão de privacidade cria um certo desconforto para qualquer um. Mas quando penso que uma catástrofe maior pode ser evitada com este tipo de ação, eu agradeço! O bem-estar público está acima do particular.


