Ciência realiza o sonho de Rosângela de ser mãe
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sábado, 08 de maio de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Rosângela Fátima Rodrigues, aos 25 anos, vai comemorar o Dia das Mães pela primeira vez. E, para ela, a comemoração terá um sentido todo especial, pois a luta para poder festejar a data durou mais de seis anos. Rosângela e o marido, Chrystian Marcelo Rodrigues, 28 anos, estavam entre os 10% dos casais que precisam apelar para métodos de reprodução humana para poder ter filhos.
Depois de várias tentativas de engravidar, Rosângela descobriu que tinha endometriose, doença que afeta o útero e é responsável por 20% dos casos de infertilidade feminina. Ela conta que se submeteu a uma laparoscopia (intervenção para cauterização dos cistos) em 2000, tomou remédios e conseguiu se livrar da doença.
A jovem começou então a fazer um tratamento para engravidar, batalha que durou dois anos, sem resultado. Ao se consultar novamente, o médico descobriu que tinha muita acidez no útero, o que fazia com que os espermatozóides morressem antes de chegar ao ovário. O agravante é que seu marido tinha baixa produção de espermatozóides, o que tornava praticamente impossível uma fecundação normal.
Ao procurar uma clínica especializada em reprodução, no início do ano passado, Rosângela foi aconselhada a fazer inseminação artificial in vitro. A esperança de uma nova técnica para engravidar veio com a desagradável surpresa de que a endometriose havia voltado. Ela teve que se submeter a outra laparoscopia e nova sessão de tratamento.
Apesar das idas e vindas, Rosângela ainda pode se considerar uma mulher de sorte. A primeira tentativa de inseminação, em 14 de maio do ano passado, deu certo. E a recompensa de tanto esforço veio em dobro. No dia 8 de janeiro deste ano, Emanuelle e Eloíze deram o ar da graça. Nasceram de parto normal, segundo a mãe, depois de uma gravidez tranquila.
O recado que Rosângela dá às mulheres que enfrentam, hoje, a mesma dificuldade que ela teve é que não percam a esperança e continuem lutando. ''Não existe coisa melhor que um bebê. Imagine dois'', brincou.
Apressadinha, Rosângela diz que o presente que gostaria de ganhar neste dia era ouvir as filhas falando ''mamãe''. Mas como sabe que isso ainda vai demorar um pouquinho, disse que fica muito feliz com o fato de poder abraçá-las e senti-las de pertinho.


