Arquivo FolhaSem fronteirasTransporte coletivo: Região Metropolitana não terá barreiras para colocar em prática projetos comuns de diversos serviços Seis ou sete municípios vizinhos que não tenham entre si barreiras físicas, administrativas e nem políticas no momento de programar e colocar em prática projetos públicos relativos a transportes coletivos, telefonia, energia elétrica, serviços de água e esgoto, reciclagem do lixo urbano e preservação do meio ambiente. Isto só é possível dentro de uma Região Metropolitana (RM), como já acontece em Curitiba - única do Paraná - e cerca de 20 outras capitais e grandes cidades brasileiras.
Este antigo sonho está perto de se concretizar também no Norte do Estado, a partir da criação da RM de Londrina com a aprovação, pela Assembléia Legislativa, do projeto de lei do deputado Eduardo Trevisan (PTB). A proposta - que oficializa a integração de Londrina com Cambé, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho e Tamarana - tramita em regime de urgência e pode ser votado ainda neste mês. Há também a forte possibilidade da inclusão de Arapongas - durante as discussões e votações em plenário - na RM de Londrina, que na prática passará a existir no início do próximo ano.
Pelo projeto, a nova RM (com sede e centralizada em Londrina) será administrada por um conselho deliberativo e por um conselho consultivo - formado por membros indicados pela sociedade civil, prefeituras e governo - com o objetivo de elaborar e executar planos de desenvolvimento integrado e programas de serviços públicos e privados comuns. A criação das RMs, prevista nas constituições Federal e Estadual, além de possibilitar um enfrentamento conjunto aos problemas presentes em municípios vizinhos, melhora sensivelmente as condições de busca de financiamentos em bancos e organismos internacionais.
A notícia da possibilidade concreta da criação da RM de Londrina foi recebida, nos últimos meses, com entusiasmo pelas lideranças empresariais e políticas locais, que há mais de dez anos - época em que só o governo federal podia oficializar uma Região Metropolitana - debatem formas de realizar esta integração, que já existe na prática em vários setores. Grande parte da população de Londrina e municípios vizinhos já dividem diariamente os serviços de transportes coletivos, telefonia, saúde, lazer, comércio e educação, entre outros.
‘‘Agora falta pouco. Temos a certeza de que o projeto será aprovado pelos deputados e sancionado pelo governador Jaime Lerner (PFL) em dezembro ou no início de 98, trazendo grandes benefícios para as cerca de 700 mil pessoas que vivem em Londrina e cidades vizinhas’’, garantiu o deputado Eduardo Trevisan durante participação no 1º Fórum da RM de Londrina, promovido em novembro pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
Para contribuir com o debate, participaram do evento políticos e técnicos especializados no assunto e ligados às regiões metropolitanas de Curitiba, Porto Alegre e Vitória.
O presidente da Codel e vice-prefeito Alex Canziani (PTB) ficou satisfeito com o resultado do fórum e avalia que foi dado o último estímulo para a efetiva criação da Região Metropolitana de Londrina. ‘‘O documento final do fórum foi encaminhado aos deputados estaduais e autoridades do governo paranaense, apontando os caminhos para que a RM seja criada e possa cumprir bem o papel dela o mais breve possível’’, afirma o vice-prefeito. ‘‘Temos que abandonar a ultrapassada idéia de administrações individualizadas e passar a discutir e a governar com base no macro, no todo da região’’, avalia Canziani.
O prefeito de Cambé e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), José do Carmo Garcia (PTB), considera importante e urgente a efetivação da Região Metropolitana de Londrina. ‘‘A proposta é ótima e merece nosso apoio, até porque nasce embasada em longas discussões acumuladas durante vários anos’’, diz Garcia. ‘‘Além disto, as populações destes municípios já estão interligadas na prática com tamanha força que a oficialização da RM está plenamente justificada.’’
Também o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros Júnior, é um antigo defensor da criação da Região Metropolitana de Londrina. Na administração municipal anterior - de 1993 a 96 - ele foi o presidente da Codel e articulou eventos e grupos de estudos destinados a debater a melhor maneira e os passos necessários à institucionalização da RM.
‘‘Entendemos que o único caminho para vencermos os problemas comuns e sairmos da crise que se abateu sobre os municípios é a integração regional. Por isto, apoiamos o projeto do Trevisan e esperamos que seja aprovado o mais rápido possível’’, ressalta o presidente da Acil. ‘‘O projeto virá oficializar uma integração que já existe na prática e aumentará a capacidade de nossos municípios na busca de linhas de créditos e financiamentos internacionais. Isto é muito importante e necessário atualmente.’’

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