Londrina cresce e aparece, literalmente. Basta olhar para o alto. Nos últimos três anos, a cidade voltou a crescer verticalmente, relembrando os tempos áureos do café e do ''boom'' imobiliário dos anos 70 e 80. Hoje, Londrina volta a se destacar no horizonte graças ao número expressivo de edifícios residenciais e comerciais espalhados por quase todas as regiões da cidade.
De acordo com levantamento recente, feito pela Brain Consultoria, de Curitiba, a pedido do Sebrae e Sinduscon Norte, Londrina aparece como a 7 cidade brasileira em número absoluto de edifícios acima de 12 pavimentos. Porém, se a correlação for feita entre número de prédios e número de habitantes, Londrina aparece ainda melhor posicionada: é a 3 do País, atrás apenas de Balneário Camboriú (SC) e Vitória (ES), e a 12 do mundo.
O estudo aponta a existência de 412 prédios acima de 12 andares na cidade. Contudo, se computados os números de construções com menos pavimentos, a quantidade de prédios passa dos mil. Dados do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi), apontam a existência de 1.140 condomínios na cidade, 590 deles estão no Centro.
A pesquisa do Sebrae e Sinduscon mostra ainda que o número de lançamentos de novos prédios vem aumentando a cada ano em Londrina. Em 2004, houve 11 lançamentos. Atualmente existem 17 prédios em construção pela cidade.
E a febre imobiliária parece que ainda vai perdurar e se manter aquecida, segundo os analistas da área. ''O momento econômico é muito bom. Há crédito disponível no setor, os prazos de pagamento estão longos, os juros estão baixos e a estabilidade econômica possibilita o planejamento financeiro. Por isso, a cidade voltou ao ritmo forte de crescimento vertical'', analisa o presidente do Sinduscon Norte do Paraná, Junker de Assis Grassiotto.
O engenheiro civil, que conhece e acompanha o mercado local desde os anos 70, avalia o desenvolvimento do setor como algo mais sólido e consistente. ''Londrina já passou por outros momentos de expansão imobiliária, mas que sempre acabaram frustrados pela economia. Agora, o panorama é outro e as expectativas são melhores'', diz Grassiotto.
Vantagens
Além da estabilidade econômica, outros pontos podem explicar a verticalização de Londrina. A segurança oferecida por estes tipos de construção; a maior oferta de áreas de lazer e entretenimento; taxa de condomínio reduzida, devido ao aproveitamento maior do espaço do terreno (mais apartamentos e mais andares) e a localização privilegiada (próximo ao Centro, shoppings, escolas, supermercados).
Para Leonardo Yoshii, gerente de marketing da Construtora A. Yoshii, em 2007 a empresa começou a construção de seis novos prédios, seu recorde anual. ''A verticalização de Londrina que já era uma tradição se tornou mais forte. Além das novas tendências nos condomínios, com áreas de lazer ampliadas, a cidade mudou seu foco agroindustrial para se tornar um pólo de tecnologia e conhecimento. Isso faz com que a cidade se torne mais atrativa, tanto às novas famílias quanto aos investidores'', avalia Yoshii.
Outra construtora londrinense, a Plaenge, vislumbra aquecimento forte no mercado. O ritmo de lançamentos é pesado: em 2007, a empresa lançou quatro prédios. Ano que vem, outros sete empreendimentos devem ser apresentados. ''A construção civil voltou a ser uma mola do crescimento e é fonte de enriquecimento para a cidade. Nossa perspectiva é bem positiva quanto a essa contribuição'', afirma Célia Catussi, gerente da Plaenge.
Oportunidades
O crescimento da construção civil também é responsável, diretamente, pelo desenvolvimento da cidade como um todo, já que proporciona a geração de empregos, de novos negócios, do aumento de renda e da capacitação de mão-de-obra. ''O avanço do setor abre novas oportunidades, obriga a qualificação de funcionários, o aumento da produtividade e o investimento em tecnologia. Isso tudo, na prática, promove o desenvolvimento social e econômico da cidade'', avalia o presidente do Sinduscon.
Outra curiosidade do mercado local é que, devido a forte demanda, a qualidade e a rapidez das obras são maiores se comparadas a outras cidades. Na pesquisa do Sebrae e Sinduscon, foi possível constatar que as obras são entregues em média 30 meses após o lançamento, com cerca de 80% a 90% das unidades vendidas.
Para conseguir tais resultados, as construtoras investem pesado em tecnologia e capacitação. Na Plaenge, segundo Célia, as obras em Londrina servem de referência. ''É comum a gente exportar tendências descobertas aqui para nossas obras em Curitiba e Campo Grande (MS), por exemplo''.

mockup