Londrina tem cerca de 2 mil poços artesianos, mas aproximadamente 80% estão irregulares. A informação é do chefe regional do escritório de Arapongas da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Antônio Scherlowski. A instituição é responsável pela regulamentação do uso da água no Paraná.
''Como há muita água contaminada na superfície, as pessoas fazem poços artesianos para ter água de mais qualidade'', revelou Scherlowski. Segundo ele, a maioria dos poços de Londrina e região - que totalizam aproximadamente 4 mil em 77 municípios -ficam em áreas onde não há atendimento pela Sanepar. São postos de combustíveis e hotéis de beira de estrada, por exemplo.
Nas áreas atendidas pela Sanepar, parte dos poços fica em condomínios, que buscam economizar na conta de água. Um poço artesiano tem, em média, capacidade de produzir 12 mil litros por hora.''É inegável que a exploração de um grande número de poços pode diminuir a quantidade de água do lençol freático'', avalia.
O metro cúbico de água fornecida pela Sanepar custa R$ 15,17 para consumo de até dez metros cúbicos. O preço sobe de acordo com a quantidade consumida.
Para perfurar um poço artesiano, é necessário anuência prévia da Suderhsa. A liberação depende de análise fisico-química e microbiológica da água, feita pelo Instituto Ambiental do Paraná. A regularização dos poços custa R$ 107 e tem de ser renovada a cada cinco anos. O proprietário de poço irregular pode ser notificado pela fiscalização da Suderhsa. O prazo para regularização é de 30 dias a partir da notificação, sob pena de multa. ''A pessoa não precisa esperar a notificação. Pode buscar informações para regularizar a situação na própria Suderhsa'', destaca Scherlowski.
Dois dos poços artesianos de Londrina estão localizados no Instituto Agrônomico do Paraná (Iapar). No local, três pontos de água são disponibilizados para a população. A busca pela água gratuita é constante. Um exemplo é o caso do engenheiro eletricista José Fernando Mangini Júnior, 36 anos, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Há um ano e meio ele busca água dos poços do Iapar e muitas vezes enfrenta fila para encher os galões. ''É mais pela segurança da qualidade da água'', revela.
De acordo com o engenheiro químico João de Lima, responsável pelo controle de qualidade, o tratamento é feito com cloro orgânico. A adição do produto químico é necessária porque a água retirada dos poços do Iapar é armazenada em cisternas, antes de seguir para a distribuição: ''O armazenamento pode causar contaminação. Se a água fosse direto do poço para o copo não haveria problema''.(F.R.F.)

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