Londrina poderá se transformar, em poucos anos, em um pólo nacional de tecnologia. Esta é a conclusão de várias lideranças de empresas e instituições que trabalham diretamente com o setor. Enquanto a cidade amarga índices negativos na segurança pública e o desempenho no futebol está abaixo do mínimo desejado, a tecnologia chega ao pódio com importantes conquistas.
Em um recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Londrina aparece em 15º no ranking da inovação industrial, à frente de muitas capitais e municípios do mesmo porte no Brasil. Sob a perspectiva da inovação, tanto gera novas tecnologias quanto adota tecnologias de primeiro mundo, de maneira especial nas áreas de saúde e telefonia.
Reconhecida como referência nacional e internacional na geração tecnológica para o setor agropecuário, a cidade começa agora a despertar para outras duas áreas promissoras: educação à distância e produção de games.
Com raízes firmemente fincadas no campo, Londrina criou fama como Capital Mundial do Café. Na década de 80, no entanto, depois das graves consequências advindas da geada de 1975, voltou-se para a prestação de serviços. A partir do próximo ano, prepara-se para dar importante salto na área do conhecimento com a implantação da Universidade Federal Tecnológica.
A Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec) tem esperança de que, até 2010, a cidade esteja entre os três principais pólos de tecnologia do Brasil. Para o coordenador executivo da entidade, Tadeu Felismino, ''isto é subjetivo'', mas não uma utopia, pois há uma série de pontos favoráveis para que esta meta seja atingida. ''Nossa crença'', avalia, ''é de que Londrina com a grande capacidade que tem na área de ensino superior, graduação, mestrado, doutorado, institutos de pesquisas, empresas; e todo esse trabalho que vem sendo desenvolvido há tantos anos está chegando ao ponto de ebulição''.
Algumas lideranças do setor lamentam, porém, que este esforço ainda seja imperceptível para a maioria da população. Outra constatação é a de que, embora haja progressos significativos, as atuais conquistas são muito mais frutos de iniciativas isoladas do que de um planejamento conjunto.
''Quando a gente diz que está chegando o ponto de ebulição de uma grande virada tecnológica em Londrina, um dos sinais é a vinda da Universidade Federal Tecnológica'', afirma o coordenador executivo da Adetec, Tadeu Felismino. Outro motivo de comemoração, de acordo com o coordenador, é que um sonho acalentado há muito tempo começa a se tornar realidade: ''Lutamos há mais de 25 anos, desde o início da década de 1980, para Londrina contar com uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e isto acontece no melhor momento possível, em que o centro se torna uma universidade''.
Quem coordena a vinda da instituição para a cidade é o vice-prefeito Luís Fernando Pinto Dias.''A prefeitura vai garantir espaço físico para o início das atividades por pelo menos dois anos'', comenta, ''até que seja concluída a construção do campus''. O terreno escolhido para a obra tem cerca de três alqueires e fica na continuação da Estrada dos Pioneiros, na região Leste. Inicialmente, serão aplicados R$ 4,5 milhões para a construção do campus e R$ 3,5 milhões para a compra de equipamentos e instalação dos laboratórios. O primeiro curso a ser ativado, já no começo de 2007, é o de Tecnologia de Alimentos e o segundo, de Química Industrial.
Para o coordenador da Adetec, a cidade ainda não acordou para a importância desse fato: ''Londrina vive uma fase de desânimo, de falta de perspectiva; nós, por outro lado, vivemos uma fase de muita empolgação''.
O presidente da Codel - Companhia de Desenvolvimento de Londrina, Claúdio Tedeschi, considera ''muito importante'' a vinda da Universidade Tecnológica para a qualificação profissional: ''É o que faltava para que pudéssemos fechar o ciclo da formação de pessoal. Trata-se de uma obra necessária para o desenvolvimento tecnológico da região''.
O empresário Alexandre Kireff, por sua vez, vê nessa implantação a possibilidade de Londrina se tornar uma ''cidade universitária''. Segundo Kireff, ''todos os grandes países têm cidades que são conhecidas como cidades universitárias. Os Estados Unidos têm Boston; a Inglaterra, Cambridge e Oxford; e a Alemanha, Heidelberg. O Brasil também poderia ter uma. Quem sabe, Londrina''.
No último dia 18, o governo federal autorizou a liberação de R$ 14.559.600,00 para obras e compra de equipamentos para o futuro campus da Universidade Federal Tecnológica em Londrina. A articulação, para liberação da verba, foi feita pelo deputado Alex Canziani (PTB-PR). Os recursos serão disponibilizados no decorrer deste ano.

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